Inteligência Artificial foi tão eficaz quanto dois radiologistas a analisar mamografias, revela estudo

CNN Portugal , DCT
2 ago 2023, 18:56
Mamografia (Michael Hanschke/Getty Images)

Estudo apresenta resultados provisórios, mas defende que a Inteligência Artificial pode ajudar a colmatar a falta de radiologistas em alguns países

O uso de inteligência artificial na Medicina é já uma realidade e multiplicam-se os estudos que vêm mostrar as suas vantagens, seja no diagnóstico ou no tratamento. O mais recente, publicado esta quarta-feira na revista The Lancet Oncology, apresenta resultados ainda provisórios, mas as primeiras conclusões mostram-se promissoras: esta ferramenta tecnológica pode ser um dois-em-um no cancro da mama, pois melhora o rastreio e reduz a carga de trabalho dos radiologistas.

Para esta investigação, os cientistas suecos da Universidade de Lund dividiram 80.033 mulheres com uma idade média de 54 anos em dois grupos: um em que as suas mamografias seriam analisadas por dois radiologistas e outro em que o exame seria visto por uma ferramenta de inteligência artificial.

Diz o estudo sueco que a triagem de mamografia apoiada por Inteligência Artificial resultou “numa taxa de deteção de cancro semelhante” em comparação com a leitura-padrão, feita pelos radiologistas. Mas, na verdade, pode até ser mais aprimorada, uma vez que, no total, 244 mulheres (28%) da triagem apoiada por Inteligência Artificial tiveram cancro em comparação com 203 mulheres (25%) da triagem-padrão, o que resultou na deteção de mais 41 cancros com o apoio da ferramenta tecnológica.

Além disso, o uso desta ferramenta resultou numa carga de trabalho de leitura dos exames “substancialmente menor”, cerca de 44,3% menos - e sem que a segurança da leitura e, posterior, diagnóstico fique comprometida. 

Ao The Guardian, Kristina Lång, autora do estudo, destaca que estes resultados são ainda “provisórios”, mas que podem servir para “informar novos ensaios e avaliações baseadas em programas para abordar a pronunciada escassez de radiologistas em muitos países”, embora defenda que os resultados não são ainda “suficientes” para confirmar que a Inteligência Artificial “está pronta para ser implementada no rastreio por mamografia” de forma universal.

As participantes vão ser acompanhadas nos próximos dois anos.

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