Não adie a sua mamografia após ter ficado com os gânglios linfáticos inflamados depois de levar a vacina

CNN , Carma Hassan
16 fev, 08:00
Mamografia

Um novo estudo diz que as pessoas não devem adiar as suas mamografias por causa da recente vacinação contra a covid-19.

“Após a vacinação, é comum as mamografias mostrarem sinais de uma linfadenopatia, isto é, ter os gânglios linfáticos aumentados”, disse o estudo, publicado terça-feira, na revista “Radiology”. Ter os gânglios linfáticos inflamados após a vacinação é um sinal inofensivo e de curto prazo. Isto significa que a vacina está a fazer efeito.

Muitas pessoas aperceberam-se desta situação após terem levado a vacina contra a covid-19. Contudo, isto também pode acontecer após levar-se a vacina contra a gripe ou contra o herpes.

Alguns médicos sugeriram às pacientes que esperassem algumas semanas antes de fazerem a mamografia. Pediram-lhes que fizessem isso, caso tivessem sido vacinadas recentemente ou se os seus gânglios linfáticos tivessem inflamado. No entanto, outros profissionais disseram que era importante não faltarem, nem adiarem a mamografia ou a vacinação.

"As pessoas devem saber que é importante não adiarem as suas mamografias, mesmo após terem sido vacinadas recentemente contra a covid-19. Depois da inoculação, é comum ter-se linfadenopatia, cuja condição é benigna”, disse em declarações Stacey Wolfson, a autora do estudo. Ela pertence ao Departamento de Radiologia da Escola de Medicina Grossman, na Universidade de Nova Iorque e ao Centro Médico Académico Langone.

No estudo, 537 das 1217 pessoas que levaram a vacina contra a covid-19 e, após isso, fizeram uma mamografia, apresentavam sinais de linfadenopatia. Verificou-se que os gânglios estavam aumentados em 46% das pessoas que levaram a vacina da Moderna, 38% da Pfizer e 39% da Johnson & Johnson.

Verificou-se que, nas duas primeiras semanas após a vacinação, havia um maior número de pessoas com os gânglios linfáticos inflamados. Contudo, esta situação pode persistir por muito mais tempo.

Wolfson disse: "Fiquei surpresa com a rapidez com que os gânglios linfáticos incharam e o tempo que persistiram assim após serem detetados em mamografias e ecografias de rotina.”

"Seguindo algumas diretrizes, e apesar de termos adiado os exames em cerca de seis semanas, descobrimos que a linfadenopatia benigna ainda estava presente nessa altura. Esses gânglios linfáticos inflamados permaneceram inalterados quando se realizaram exames de rotina três meses após a toma da vacina. Nalguns casos, esta situação persistia por mais de dez meses.”

 Stacey Wolfson disse que não é recomendável fazer-se mamografias em pessoas cujos gânglios linfáticos estejam inflamados, exceto se houver a suspeita de alguma outra situação médica que necessite de vigilância.

Fazer-se mamografias regularmente pode ajudar a detetar o cancro da mama numa fase inicial. A Sociedade Americana contra o Cancro refere que as mulheres entre os 40 e os 44 anos, e cujo risco seja médio, devem fazer uma mamografia todos os anos. Na faixa etária entre os 45 e os 54 anos, as pacientes devem fazer mamografias todos os anos e as senhoras que têm 55 anos podem fazer mamografias anuais. Também podem fazer este exame a cada dois anos.

"Se possível, recomendamos que as mulheres façam a sua mamografia anual antes da vacinação. Assim, caso os gânglios inchassem por causa da inoculação, isso não teria impacto na interpretação do exame. Caso uma mulher tenha sido vacinada recentemente, aconselhamo-la a fazer a sua mamografia anual, tal como previsto. No entanto, a paciente deve informar a equipa que vai fazer o exame de que foi vacinada há pouco tempo. Desta forma, essas informações vão ser tidas em consideração quando se analisar a mamografia", disse Stamatia Destounis, chefe da Comissão da Universidade de Radiologia Mamária. "A Comissão deixou que as pacientes, em conjunto com os centros de diagnóstico, decidissem sobre a frequência com que devem fazer estes exames de rotina.”

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