Menina de cinco anos morre atingida por bala perdida na Ilha do Governador no Brasil. Testemunhas culpam polícia, mas os agentes não sabem como aconteceu

CNN Portugal , BCE
12 ago 2023, 23:33
Cristo Redentor

Este incidente não é caso único no Brasil. De acordo com uma organização não-governamental brasileira, com a morte da menina sobe para 101 o número de crianças e adolescentes mortos pelo uso de armas de fogo, “a maioria balas perdidas”, desde 2007

Uma menina de cinco anos morreu este sábado depois de ter sido atingida por uma bala perdida na Ilha do Governador, situada no Rio de Janeiro, Brasil. Além da criança, um jovem adolescente, de 17 anos, também morreu.

O incidente ocorreu numa altura em que os agentes da Polícia Militar abordaram dois homens que seguiam num motociclo, sendo que um deles, o pendura, estava armado. Após uma primeira abordagem da polícia, o jovem, Wendel Eduardo, terá disparado contra os agentes e acabou por ser morto a tiro.

Esta é a versão da Polícia Militar, que, em comunicado citado pela CNN Brasil, diz ter sido informada de que uma criança foi “baleada no interior da comunidade de Dendê e que foi socorrida por familiares”. Na nota, a polícia ressalva que “não havia operação policial no interior da comunidade” e diz não saber as circunstâncias que levaram à morte da menina.

Mas esta versão não coincide com a das testemunhas no local, nomeadamente dos familiares de Wendel Eduardo, que garantem que o jovem, assim que foi confrontado pelos agentes policiais, levantou os braços e rendeu-se. Mesmo assim, foi baleado, contou o tio de Wendel, sublinhando que nunca teve conhecimento de que o jovem estivesse envolvido em ações criminosas.

Na sequência da morte do jovem, os moradores de uma localidade do Dendê, conhecida como Cova da Onça, manifestaram-se contra os agentes policiais, que terão respondido à revolta com disparos. Um desses disparos terá atingido Eloá, a menina de cinco anos, que estava no quarto a brincar, segundo contou uma prima da criança, citada pela Globo.

A menina ainda foi transferida para o Hospital Municipal Evandro Freire, mas o óbito já tinha sido declarado antes de dar entrada na unidade hospitalar.

Tendo em conta as duas versões distintas do incidente, a Polícia Militar já anunciou que vai abrir um inquérito para averiguar as ações policiais, contando para o efeito com as imagens das bodycams dos agentes. Além disso, acrescentou, o comandante do Batalhão da Ilha foi afastado para assegurar "transparência na averiguação dos factos".

Este incidente não é caso único no Brasil. De acordo com a organização não-governamental (ONG) Rio de Paz, com a morte de Eloá sobe para 101 o número de crianças e adolescentes mortos pelo uso de armas de fogo, “a maioria balas perdidas”, desde 2007, altura em que a organização começou a fazer o registo destes casos.

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