BE acusa Governo de não ter “nenhuma solução” para a crise na Habitação

Agência Lusa , MJC
11 mai, 13:21
Arrruada do Bloco de Esquerda com Mariana Mortágua e Catarina Martins (Lusa/Fernando Araújo)

Em Matosinhos, numa arruada na Feira da Senhora da Hora, Mariana Mortágua acusou ainda o executivo de querer empurrar a classe média para a periferia, deixando os centros das cidades para “os ricos e os turistas”

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) acusou o Governo de não ter “nenhuma solução” para a crise na Habitação e de “não haver coincidência” entre o que foi prometido na campanha e as prioridades do atual executivo.

“Escrevam o que eu digo, o Governo do PSD não tem nenhuma solução para baixar o preço das casas, para o preço dos créditos não há nenhuma medida, os bancos vão continuar a lucrar com os juros do crédito habitação, para baixar as rendas não há nenhuma medida, tudo aquilo que é permitido é mais selvajaria no mercado do arrendamento, quando as pessoas já estão tão desprotegidas, nenhuma medida para conter a procura externa, nenhuma medida para conter o alojamento local, nenhuma medida para conter os hotéis”, apontou Mariana Mortágua.

Em Matosinhos, numa arruada na Feira da Senhora da Hora, a líder bloquista acusou ainda o executivo de querer empurrar a classe média para a periferia, deixando os centros das cidades para “os ricos e os turistas”.

Confrontada com as medidas para a Habitação apresentadas na sexta-feira pelo executivo liderado por Luís Montenegro, a coordenadora do BE deixou algumas questões: “Tenta-se combater [a falta de habitação] dizendo que se vai construir muito. Primeiro, em quantos anos? As pessoas que têm hoje 30 anos e querem uma família, ou 40 anos, têm que esperar até aos 60 para terem uma casa construída sabe-se lá onde e, entretanto, como é que ficou a sua vida?”, questionou, considerando que "essa construção não tem uma dimensão suficiente para os problemas da habitação".

Mariana Mortágua quis ainda “chamar a atenção” para “uma coisa que é dita” no programa do Governo: “Vamos construir casas nas grandes periferias das cidades e criar transportes para as pessoas irem trabalhar”. “O plano do PSD é ter uma classe média que habita periferias sobrelotadas enquanto os centros da cidade ficam para o turismo e para os ricos e depois há transportes que levam as pessoas que vivem nas periferias para servirem o turismo e os ricos nos hotéis e nos restaurantes e em todas a amenidades que as nossas cidades podem oferecer porque se tornaram postais de turismo”, criticou.

A dirigente bloquista afirmou que se trata de um modelo que o partido rejeita. “Vamos ter um agendamento potestativo com medidas para a habitação que visam baixar as rendas, por tetos para as rendas, obrigar o Estado a usar o património público para servir a habitação, baixar os juros do crédito habitação, reduzir os lucros da banca, proibir a venda de casa a estrangeiros que não querem viver em Portugal”, adiantou.

Questionada sobre se o Governo tem as prioridades trocadas, Mariana Mortágua respondeu com a acusação de que “o Governo não foi claro durante a sua campanha sobre quais eram as suas prioridades”. “Durante a campanha a prioridade era baixar o imposto sobre quem trabalha mas na verdade a prioridade é aumentar o lucro das grandes empresas e o Governo não vai vacilar nessa medida e o mesmo na Habitação. Durante a campanha falavam na habitação, depois da campanha a prioridade é dar carta verde ao alojamento local e aos hotéis e toda a industria da construção”, exemplificou.

Para o Bloco “o Governo sabe bem o que está a fazer”, pelo que o problema será outro. “Não há coincidência entre aquilo que está a fazer agora e aquilo que disse que ia fazer e penso que depressa o país se vai aperceber que nem o problema da habitação, nem da Saúde, nem dos salários vão ser resolvidos por este Governo de direita que não tem soluções agora, como nunca teve no passado”, finalizou.

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