Um ano dos ataques às sedes dos Três Poderes no Brasil marcado por atos públicos

Agência Lusa , AM
8 jan, 09:57
Brasil (André Borges/EPA)

Chamado de "Democracia Inabalável", o evento que marca um ano do ataque 'bolsonarista' foi convocado pelo presidente brasileiro e será realizado em conjunto com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal

Um ano após apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro invadirem as sedes dos Três Poderes, em Brasília, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e movimentos sociais organizam eventos para lembrar a data, o que merece críticas da oposição.

Lula da Silva realizará esta segunda-feira uma cerimónia, que contará com a presença de ministros, governadores e parlamentares, e cerca de 500 convidados, para marcar um ano dos ataques promovidos por ‘bolsonaristas’ ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A invasão começou depois de militantes da extrema-direita brasileira terem convocado e realizado um ato em 8 de janeiro de 2023, na Esplanada dos Ministérios, para tentar derrubar o Governo de Lula da Silva, que havia tomado posse oito dias antes.

Chamado de "Democracia Inabalável", o evento que marca um ano do ataque 'bolsonarista' foi convocado pelo presidente brasileiro e será realizado em conjunto com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula da Silva mobilizou-se pessoalmente para convidar as autoridades do país, numa tentativa de mostrar a união das instituições do Brasil, cuja população permanece muito polarizada entre apoiantes da esquerda e da direita ‘bolsonarista’.

Movimentos sociais e partidos de esquerda também convocaram atos de rua em defesa da democracia para hoje, com concentrações em 15 capitais do país, incluindo as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A oposição, por sua vez, absteve-se de marcar atos públicos, mas divulgou um manifesto contra a celebração convocada pelo Governo de Lula da Silva, em que criticou o que chamou de “o abuso de poderes” do STF no julgamento dos investigados pelos ataques e clamou pela “volta à normalidade democrática”.

O manifesto foi assinado por 30 senadores que disseram, no documento, condenar “vigorosamente os atos de violência e a depredação dos prédios públicos ocorridos no dia 08.01.2023, em Brasília”, mas culpam o Governo de Lula da Silva por alegadas falhas de segurança, não comprovadas, “para conter esses atos”.

A oposição também afirmou que o STF tem praticado “atos excecionais” com a justificação de proteger a democracia, e criticou as prisões e julgamentos de centenas de ‘bolsonaristas’ que estavam em Brasília ou que são suspeitos de participarem na organização do ataque, que ainda está a ser investigado pelas autoridades locais.  

Já grupos da sociedade civil de apoiantes de Bolsonaro têm convocado manifestações nas redes sociais e aplicações de mensagens também para 08 de janeiro, que estão a ser monitorizadas pelas forças de segurança do país e, até ao momento, a avaliação de membros do Governo é de que as convocatórias não têm conseguido mobilizar muitas pessoas.

Um ano depois dos ataques que abalaram o país sul-americano e chocaram o mundo, muitas perguntas seguem sem respostas.

O Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal avançaram na punição aos executores dos atos - 30 acusados já foram condenados e centenas respondem a processos -, mas os principais financiadores do ataque não foram todos identificados.

A justiça brasileira também ainda não ofereceu uma resposta sobre a participação ou não do ex-presidente Bolsonaro na instigação dos atos de vandalismo e tentativa de golpe, nem sobre o papel de alguns funcionários públicos e autoridades suspeitas de omissão ou de facilitação dos ataques.

A participação de membros das Forças Armadas brasileira nos eventos de 08 de janeiro também ainda não foi esclarecida.

Além das investigações policiais e judiciais, o Congresso brasileiro realizou uma comissão parlamentar com senadores e deputados para apurar as responsabilidades pelos ataques, assim como a Câmara parlamentar regional do Distrito Federal.

As duas iniciativas foram marcadas por embates políticos entre a extrema-direita e a esquerda e as suas conclusões não tiveram um desfecho prático, já que pedidos de investigação e punição também dependem da atuação da Justiça.

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