Covid-19: membro da Comissão Técnica de Vacinação sugere que crianças devem ser incluídas na decisão

10 dez 2021, 22:58

Médico diz que pais devem ouvir as autoridades de saúde, mas lembra que a vacinação em Portugal não tem caráter obrigatório

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António Sarmento é um dos 13 especialistas que faz parte da Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19. No fim de uma semana em que a Direção-Geral da Saúde deu luz verde à inoculação das crianças entre 5 e 11 anos, o médico entende que o processo vai decorrer com normalidade, mesmo depois de muita divisão na sociedade. Há pediatras a favor e contra a vacinação, nomeadamente por não acharem que ela seja essencial nas crianças.

Em entrevista à CNN Portugal, António Sarmento lembra que os portugueses "confiam nas vacinas", pedindo também confiança no processo e nas autoridades de saúde por ele responsável.

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"Ninguém pode garantir que tudo seja 100% seguro. Qualquer medicamento que tomo hoje, não posso garantir que não vai acontecer nada daqui a 20 anos. Não podemos dar 100% de certezas, mas temos de minorar a incerteza o mais possível", explica, destacando o papel da Direção-Geral da Saúde em Portugal e das suas congéneres no mundo.

Questionado sobre a possibilidade de existirem pais que possam optar por não vacinar as suas crianças, o médico remete para as palavras do Presidente da República e lembra que se trata de uma opção, que os pais "podem ouvir as autoridades de saúde".

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"Os pais vão optar em função dos elementos das autoridades de saúde. Isto não é uma lei", acrescenta, admitindo que a criança, se tiver maturidade para tal, "seja englobada na decisão".

Isso pode acontecer, explica António Sarmento, no sentido de comprometer as crianças, de lhes explicar o porquê da opção tomada pelos pais: "Se forem esclarecidas podem, com muito mais tranquilidade, aceitar ser vacinadas ou aceitar não ser".

Sobre o parecer técnico em concreto, o especialista abordou a questão do intervalo entre as doses administradas, que será de sete a oito semanas, dizendo que um período maior entre a primeira e segunda doses pode dar mais "robustez" na resposta imunitária.

Além disso, revela o médico, também há uma outra questão: "Não é essa a intenção, mas imagine que se tinha de voltar atrás e se achava que não se devia continuar a vacinar, tinham passado mais semanas. A intenção não é essa, a intenção primária é reforçar a atividade da vacina", ressalva.

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