Ex-gestor do Novo Banco fala de "saque" ao Fundo de Resolução em escutas da Operação Cartão Vermelho

19 jan, 11:46
Vítor Fernandes

Vítor Fernandes comentou o caso com um atual executivo da instituição, e considerou pouco ética a movimentação

O ex-administrador do Novo Banco, Vítor Fernandes, questionou a gestão de António Ramalho de comportamentos pouco éticos em relação ao Fundo de Resolução. A notícia foi avançada esta quarta-feira pelo jornal Público, que fala numa posição referenciada pelos investigadores da Operação Cartão Vermelho, que tem como figura central o antigo presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, investigando, entre outras coisas, a sua gestão com o sistema bancário.

O ex-gestor classificou de "saque ao fundo" uma alegada tentativa de António Ramalho de imputar ao Fundo de Resolução o custo do desinvestimento da operação em Espanha, mesmo antes da sua venda. Numa conversa telefónica que teve com Rui Fontes, atual executivo da instituição bancária, Vítor Fernandes reconhece que esta foi uma situação legal, mas questiona a ética.

Este comentário, que sugere que o Novo Banco tentou levantar dúvidas éticas para pedir mais dinheiro ao Fundo de Resolução, foi gravado em julho de 2021, em escutas telefónicas obtidas pela Autoridade Tributária e pelo Ministério Público.

Recorde-se que, só ao Novo Banco, o ex-presidente do Benfica tinha, em 2019, uma dívida de 760 milhões de euros, que gerava perdas de 225 milhões de euros. Sobre este caso, foram encontrados mais de 150 mil euros em duas gavetas de um funcionário. Isso mesmo motivou a abertura de uma investigação por parte do banco, que vai averiguar a venda dos créditos da Imosteps, uma das empresas do universo de Luís Filipe Vieira.

Este é mais um episódio na investigação que tem revelado várias relações de Luís Filipe Vieira com o Novo Banco, incluindo uma alegada preparação para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que terá sido preparada pelo presidente da instituição, António Ramalho. Além disso, as autoridades também suspeitam de um esquema para vender um pacote de ativos (entre imóveis e créditos) a um fundo do universo de Vieira, mas sem que o nome do devedor constasse como beneficiário.

O nome de Vítor Fernandes tem sido recorrente em escutas do processo, nomeadamente numa em que se fala de uma eventual preparação por parte de António Ramalho a Luís Filipe Vieira, como foi noticiado por TVI e CNN Portugal. Além disso, foi a presença do ex-gestor nas escutas que acabou por levar ao cancelamento da indicação para a presidência do Banco Português de Fomento.

Nessa conversa, a 28 de abril de 2021, Ramalho diz que vai estar com "o Luís" para "o preparar também". A investigação não tem dúvidas que quando fala no "Luís" o líder do Novo Banco se refere a Luís Filipe Vieira, nomeadamente porque no dia seguinte foi interceptada outra chamada em que um responsável do banco ligava ao filho de Vieira - Tiago Vieira - a pedir-lhe o número atualizado do presidente do Benfica porque António Ramalho pretendia marcar uma reunião.

À CNN Portugal, António Ramalho confirmou que teve uma reunião com Luís Filipe Vieira, à qual se referiu como "uma reunião rápida".

As relações entre o Novo Banco e Luís Filipe Vieira já chegaram a instâncias internacionais, com o Banco Central Europeu a investigar a situação.

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