António Ramalho confirma "reunião rápida" com Luís Filipe Vieira: “Acha possível em 20 minutos de reunião manipular alguém?", questionou

7 jan, 23:01

CEO do Novo Banco nega ter manipulado discurso de Luís Filipe Vieira e do administrador Rui Fontes na Comissão de Inquérito às perdas do banco. António Ramalho diz ter estado com Luís Filipe Vieira duas vezes, uma delas no dia 3 de maio de 2021, antes do antigo presidente do Benfica se apresentar ao Parlamento. O objetivo era mostrar que o “banco estava disponível para dar toda a informação para que as pessoas se preparassem para responder às questões” e dar uma sugestão

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António Ramalho respondeu esta sexta-feira à polémica das escutas que o envolvem na preparação de Luís Filipe Vieira para a audição na Comissão de Inquérito. O CEO do Novo Banco admitiu ter tido “uma reunião rápida” com Luís Filipe Vieira, mas negou as acusações de concertação e de ter preparado a audição do antigo presidente do Benfica.

Acha possível em 20 minutos, 10 minutos de reunião manipular alguém que vai estar seis horas ou sete horas perante os deputados mais preparados”, questionou salientando que acha inaceitável que as pessoas sejam “condenadas quando saem relatórios internos que de alguma maneira fazem intervenção da sociedade”.

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Na reunião que teve com Luís Filipe Vieira, António Ramalho disse ter sido acompanhado pelo diretor de gestão da Promovalor e que a conversa rápida terá servido para mostrar que o “banco estava disponível para dar toda a informação para que as pessoas se preparassem para responder às questões” e dar uma sugestão: “pelo amor de deus não me faça cenas de não saber o que se passa”.

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António Ramalho justificou o facto de não ter reunido com outros devedores, como Nuno Vasconcelos, ou João Gama Leão por todos esses clientes serem “de crédito vencido” e não terem “nenhum processo reestruturado”. “A nossa relação estava quebrada”, argumentou. No caso da Promovalor, Ramalho defendeu que foi um processo de reestruturação que herdou “integralmente do BES” e essa dívida “foi reestruturável” e já foi auditada especificamente a pedido do Fundo de Resolução.

O CEO do Novo Banco afirmou que estava convencido de que Luís Filipe Vieira se estava a preparar para a Comissão de Inquérito, “que preocupa, naturalmente, qualquer pessoa”. “Pensar que um banco era capaz de manipular uma comissão e pessoas que respondem a uma Comissão de Inquérito é de um mundo totalmente virtual”, disse, sublinhando que o Novo Banco, “desde a primeira hora”, anunciou que se “iria preparar bem” para dar a informação necessária a uma comissão de inquérito que classificou como tendo um “sucesso invejável”.

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Ainda sobre Luís Filipe Vieira, o presidente do Novo Banco afirmou que em três, quatro anos de atividade falou com Luís Filipe Vieira duas vezes, sendo que uma delas foi a “reunião rápida” que antecedeu a presença de Vieira no Parlamento. “Ninguém me viu em camarotes presidenciais, ou a ir a um jogo de futebol, porque eu não aceito”, adiantou, garantindo que “houve uma política adequada de relacionamentos éticos” com o antigo presidente do Benfica.

"A verdade é que Rui Fontes é monocórdico e chato"

Questionado sobre as escutas em que revelam uma conversa sua com Vítor Fernandes em que afirma que o administrador Rui Fontes "está muito bem preparado, vai ser monocórdico e chato, porque os gajos não vão perceber nada do que ele vai dizer", o CEO do Novo Banco disse à CNN Portugal que “a verdade é que ele (Fontes) é monocórdico e chato”, acrescentando que acreditava “que algumas das suas intervenções muito específicas sobre políticas de imparidades são difíceis de compreender”.

Em causa estão documentos e escutas que constam da Operação Cartão Vermelho, reveladas pela CNN/TVI que levaram os investigadores a concluir que António Ramalho tentou preparar funcionários da instituição de um dos grandes devedores, no caso Luís Filipe Vieira, para as audições nessa comissão de inquérito.

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António Ramalho diz que a sua vida "é absolutamente transparente a nível de investigações”

À CNN Portugal, o deputado Fernando Negrão, que exerceu o cargo de presidente da Comissão de Inquérito às perdas registadas pelo Novo Banco, disse querer que seja feita uma investigação às alegadas instrumentalizações feitas por António Ramalho. Confrontado com esta opinião, o presidente do Novo Banco espera que “se investigue claramente”, já que a sua vida “é absolutamente transparente a nível de investigações”, porque o banco tem “estado a cumprir religiosamente um plano que parece díficil de explicar aos portugueses, que tiveram de o financiar e que teve um escrutínio absoluto como nenhum outro banco da Europa”. 

Interrogado sobre se acredita ainda ter idoneidade para exercer o cargo, questões também colocadas por Catarina Martins esta sexta-feira, Ramalho refere que, não só a sua idoneidade “é revista permanentemente”, como quer que “se investigue em detalhe todos os processos”. 

Depois, António Ramalho falou sobre o caso específico da Imosteps, que tinha uma dívida de 54 milhões de euros e que, depois de ter sido vendida a um fundo por cinco milhões de euros, chegou às mãos de José António dos Santos, suspeito de ser testa de ferro de Vieira, na mesma altura em que Luís Filipe Vieira  lhe vendeu a empresa por 1 euro.

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Questionado sobre se se sente enganado por Luís Filipe Vieira, António Ramalho responde apenas que todas as perdas que teve foram herdadas do BES. “Sinto-me enganado pelo BES e isso está a querer branquear-se em várias histórias”. “Não foi só o Novo Banco que vendeu a Imosteps, o BCP que tinha também uma parcela da Imosteps vendeu uma parcela igual ao do Novo Banco”, adiantou.

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