Nova vaga de ameaças de bomba obriga a desviar aviões em vários países europeus. UE ativa mecanismo de alerta
Uma nova vaga de falsas ameaças de bomba afetou esta quinta-feira pelo menos 25 voos entre vários países europeus. Alguns aviões tiveram de ser desviados, levando a Comissão Europeia (CE) a ativar um mecanismo de partilha de informações entre os Estados-membros da União Europeia (UE).
Depois de, na terça-feira, vários alertas já terem obrigado à mobilização de amplos dispositivos de segurança em diferentes cidades europeias, em Espanha, o aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas recebeu esta quinta-feira uma comunicação sobre uma ameaça de explosivos, que afetou três voos: um com destino a Paris, outro proveniente de Roma e um terceiro com origem em Milão, segundo disseram à EFE fontes da gestora espanhola de aeroportos Aena.
Na sequência das ameaças dirigidas a dois aviões da Iberia e a um da Air Europa, foi constituído um comité de segurança com as Forças e Corpos de Segurança do Estado. Depois de avaliadas as situações e realizadas as verificações necessárias, as ameaças "foram descartadas".
Entre os outros países de origem ou destino dos voos de diferentes companhias aéreas europeias estiveram França, Bélgica, Áustria, Polónia, Dinamarca, Irlanda, Grécia, Finlândia, Sérvia e Roménia, tendo Itália, Chéquia e Bulgária sido alguns dos países mais afetados.
Num dos primeiros casos conhecidos, um avião que fazia a ligação entre Dublin e Roma foi desviado da sua rota devido a um alerta de bomba quando sobrevoava o espaço aéreo francês. Dois caças obrigaram-no a aterrar na base aérea de Évreux, a leste de Paris, depois de o piloto se ter recusado a aterrar na instalação militar, informou a estação televisiva France 3 na Normandia.
Nenhum objeto suspeito encontrado
Três voos da companhia aérea Ryanair com destino à Bulgária e partida de Madrid, Londres e Copenhaga também foram afetados por falsas ameaças de bomba, segundo informou à EFE o Ministério dos Transportes búlgaro. Os aviões foram escoltados por aeronaves militares até aterrarem.
A companhia aérea finlandesa Finnair explicou à televisão pública YLE que um dos seus voos, com 144 passageiros a bordo, foi igualmente escoltado por caças italianos antes de aterrar sem incidentes em Roma. Também na Áustria foram mobilizados caças Eurofighter para acompanhar alguns dos aviões ameaçados.
Em todos os casos, que afetaram sobretudo companhias aéreas de baixo custo, como a Ryanair, a Wizz Air e a Aer Lingus, mas também transportadoras nacionais, como a Iberia, a Finnair e a Aegean Airlines, os aviões foram inspecionados. Não foi encontrada qualquer ameaça para os passageiros.
Ameaças em aeroportos
Em paralelo, no aeroporto Chopin, em Varsóvia, uma das pistas teve de ser temporariamente encerrada depois de um voo da LOT com destino a Paris, que ainda não tinha descolado, ter sido afetado por uma possível ameaça, indicou à EFE o porta-voz dos Aeroportos Polacos, Piotr Rudzki.
O aeroporto de Copenhaga também registou um incidente envolvendo dois aviões estacionados, o que obrigou à mobilização de elementos da polícia e das Forças Armadas especializados na desativação de explosivos, segundo a agência dinamarquesa Ritzau.
No Reino Unido, dois aeroportos, Heathrow e Birmingham, receberam ameaças que as autoridades acabaram por classificar como "não credíveis". Em Cork, na Irlanda, um avião sofreu um atraso pelo mesmo motivo.
UE ativa mecanismo de partilha de informações
Em resposta à sucessão de incidentes, a Comissão Europeia anunciou que ativou um mecanismo de partilha de informações entre os Estados-membros da UE, embora tenha alertado que ainda é cedo para determinar se os casos estão relacionados entre si.
"Estamos a acompanhar de perto a situação e em contacto com os Estados-membros afetados e com a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA, na sigla em inglês)", afirmou na rede social X o comissário europeu dos Transportes Sustentáveis e Turismo, Apostolos Tzitzikostas.
A EASA indicou à EFE, a partir de Colónia, que os pilotos, os controladores de tráfego aéreo e os funcionários dos aeroportos "receberam formação para lidar com imprevistos deste tipo". Por esse motivo, "o risco imediato para a segurança operacional decorrente de falsas ameaças isoladas é baixo", explicou a agência, referindo-se à sua área de competência.
Ainda assim, garantiu que continuará a "acompanhar estes acontecimentos para identificar e avaliar qualquer possível impacto na segurança operacional da aviação decorrente destas ameaças à segurança".
Por sua vez, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) condenou as tentativas de perturbar o tráfego aéreo e instou as autoridades a identificar a sua origem e a garantir aos passageiros que as medidas de segurança assegurarão os mais elevados níveis de segurança pública.
"A NATO continua a acompanhar a situação e mantém uma estreita coordenação com os aliados, que responderam de várias formas às possíveis ameaças dos últimos dias, nomeadamente através da descolagem de emergência de aviões, alguns dos quais foram transferidos para a NATO", afirmou um alto responsável militar da Aliança.