Risco de desenvolver Alzheimer “substancialmente maior” entre idosos que tiveram covid-19, revela estudo

Agência Lusa , BCE
14 set, 00:50
Idosos

Os investigadores referem que não é claro se a infeção por covid-19 desencadeia um novo desenvolvimento da doença de Alzheimer, ou se acelera o seu início

As pessoas mais velhas que estiveram infetadas com covid-19 têm um risco “substancialmente maior” de desenvolver Alzheimer no espaço de um ano, circunstância observada especialmente entre mulheres com pelo menos 85 anos, refere um estudo divulgado esta terça-feira.

A investigação, publicada no Journal of Alzheimer's Disease, foi realizada com pacientes com mais de 65 anos e indica que o risco de desenvolver esta doença é entre 50% e 80% maior do que num grupo de controlo.

Os cientistas da Case Western Reserve University, dos Estados Unidos, que analisaram registos médicos de mais de seis milhões de pacientes, assinalam que o maior risco foi observado em mulheres com pelo menos 85 anos.

Os investigadores referem que não é claro se a infeção por covid-19 desencadeia um novo desenvolvimento da doença de Alzheimer, ou se acelera o seu início.

Os fatores que interferem no desenvolvimento da doença de Alzheimer não são bem compreendidos, mas há dois elementos considerados importantes: infeções prévias, principalmente virais, e inflamação.

Como a infeção por SARS-CoV2 foi associada a anormalidades do sistema nervoso central, incluindo inflamação, a equipa queria perceber se, "mesmo a curto prazo, a covid-19 poderia levar a um aumento dos diagnósticos", explicou Pamela Davis, uma das autoras do estudo, citada em comunicado pela universidade.

A equipa analisou os registos médicos de 6,2 milhões de adultos de 65 anos que receberam tratamento médico entre fevereiro de 2020 e maio de 2021 e não tinham um diagnóstico prévio de Alzheimer.

A doença de Alzheimer é "uma doença séria e desafiante, e pensamos que tínhamos controlado a situação ao reduzir os fatores de risco gerais, como pressão alta, doenças cardíacas, obesidade e estilo de vida sedentário", acrescentou a investigadora.

As consequências a longo prazo da covid-19 ainda estão a surgir, pelo que “é importante continuar a monitorizar o impacto desta doença numa incapacidade futura”.

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