"A saúde das mulheres desta nação está agora em risco. Regredimos 150 anos": Biden reage à reversão na lei do aborto

24 jun, 17:44
Joe Biden (AP Photo)

Presidente dos Estados Unidos culpa diretamente Donald Trump e o Supremo Tribunal, que "fez o que nunca tinha sido feito"

O presidente dos Estados Unidos classificou o dia 24 de maio de 2022 como um "dia triste para o país", depois de o Supremo Tribunal ter revertido a decisão Roe vs Wade, que protegia o direito ao aborto em todos os estados.

Criticando uma decisão que reverte um direito com quase 50 anos, Joe Biden afirmou que, sem a proteção da Constituição, "a saúde das mulheres desta nação está agora em risco", numa decisão que "vai levar a América, literalmente, 150 anos para trás".

Joe Biden garantiu que a sua administração vai procurar proteger as mulheres, nomeadamente através do acesso aos medicamentos necessários, atacando depois o Partido Republicano e os "políticos que tentam interferir na vida das mulheres".

A Casa Branca já esteve entretanto reunida com responsáveis do Departamento da Saúde: "Vou fazer tudo ao meu alcance para proteger os direitos das mulheres nos estados em que possam enfrentar as consequências desta decisão". Recorde-se que o Supremo Tribunal dá liberdade aos estados para escolherem legalizar ou não o aborto, o que poderá vir a acontecer em cerca de 25 dos 50 estados do país, segundo os especialistas.

Uma das hipóteses que têm as mulheres que vivam em estados onde o aborto será proibido é viajar para um outro estado onde o procedimento seja permitido. E Joe Biden garantiu que vai ajudar estas mulheres a fazê-lo, até porque "a decisão do Supremo Tribunal não impede uma mulher de viajar do seu estado para outro, não impede um médico daquele estado de a tratar".

Recordando as palavras da procuradora-geral, o presidente quer assegurar que as mulheres "continuam livres para viajar de forma segura para outro estado para procurarem o que precisam". "Se algum responsável de um estado tentar interferir com o direito da mulher em exercer o direito básico de viajar, eu vou fazer tudo para combater esse ataque não-americano", disse Joe Biden.

Sobre o acesso a medicamentos, que alguns estados já disseram que poderá vir a ser limitado, Joe Biden prometeu proteger o acesso a medicamentos aprovados a nível federal, bem como à contraceção: "Governadores e legisladores extremistas dos estados vão tentar bloquear o envio ou a procura de medicamentos". De resto, como lembrou o presidente, as organizações de saúde já vieram dizer que "ao limitarem o acesso a estes medicamentos a mortalidade materna vai subir na América".

Responsabilidades de Trump e olho nas eleições

Apontando responsabilidades diretas a Donald Trump, anterior presidente que nomeou três dos seis juízes que votaram favoravelmente a esta decisão, Joe Biden falou na "concretização de uma ideologia extremista" e num "erro trágico": "Foram três juízes nomeados por um presidente, Donald Trump, que decidiram derrubar a justiça e eliminar um direito fundamental para as mulheres neste país".

"Não tenham dúvidas, esta decisão é o culminar de um esforço deliberado ao longo de décadas para desequilibrar a balança da nossa lei", referiu, colocando depois o foco das críticas no Supremo Tribunal, que "fez o que nunca tinha sido feito, tirar expressamente um direito constitucional que já tinha sido reconhecido e que é fundamental para tantos americanos. Não o limitaram, simplesmente tiraram-no."

"A decisão do tribunal vai ter decisões reais e consequências imediatas", acrescentou.

Tal como já haviam feito outros políticos que discordam da decisão, entre os quais a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, Joe Biden também focou os olhos nas eleições intercalares de novembro, nas quais os norte-americanos vão eleger os membros do Congresso. Aí, pediu o presidente, os eleitores devem escolher representantes que sejam a favor do regresso do direito ao aborto.

"Deixem-me ser muito claro e inequívoco. A única forma que temos para assegurar os direitos da mulher a escolher é o Congresso restaurar as proteções do caso Roe vs. Wade como uma lei federal. Nenhuma ação presidencial pode fazer isso", sublinhou, recordando que, atualmente, os democratas não dispõem de representantes suficientes para que isso seja possível: "Os eleitores têm de fazer ouvir as suas vozes. Este outono têm de eleger mais senadores e representantes que consagrem o direito da mulher a escolher como uma lei federal mais uma vez. Neste outono, Roe vai estar no boletim de voto. As liberdades pessoais vão estar no boletim de voto. O direito à privacidade, liberdade e igualdade, esses direitos vão estar no boletim de voto", disse, terminando a dizer que "isto ainda não acabou".

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