Acne, manchas e irritações. Como a utilização de máscara afetou a nossa pele (e o que podemos fazer para a tratar)

CNN Portugal , BCE
29 mai, 09:00
O uso de máscara contribuiu para o aparecimento de lesões na pele, como acne e rosáceas (Pexels)

A utilização de máscara diariamente durante dois anos contribuiu para o agravamento de lesões na pele, mas a boa notícia é que existem hoje várias formas de controlar e prevenir alguns destes problemas, muitas delas a partir de casa, como explicam os especialistas à CNN Portugal

Depois de mais de dois anos a usar máscara diariamente, a pele do nosso rosto parece agora querer vingar-se, surpreendendo-nos com lesões e manchas que persistem no reflexo do espelho. 

uso de máscara contribuiu para o aparecimento ou agravamento de lesões na pele, como a acne ou as rosáceas (uma vermelhidão na pele com vasos sanguíneos percetíveis), sobretudo nas pessoas com peles mais sensíveis que acabam por ficar mais reativas ao contacto com o tecido das máscaras.

A boa notícia é que existem hoje várias formas de controlar e prevenir alguns destes problemas, muitas delas a partir de casa, como explicam à CNN Portugal alguns especialistas.

A importância de uma rotina de cuidados de pele

Tal como os restantes órgãos do nosso corpo, a pele exige cuidados diários e uma boa rotina de higiene pode ajudar mesmo a prevenir o aparecimento de lesões cutâneas.

De acordo com a dermatologista Joana Dias Coelho, da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, uma boa rotina de higiene inclui a lavagem do rosto, uma ou duas vezes por dia, com água morna, uma vez que “a água muito quente acaba por lesar a camada superficial e não tem benefícios” para a pele. Embora as águas de limpeza também “funcionem bem”, a especialista salienta a importância de lavar a pele com água: “Até pode ser no banho, se for mais prático.”

O segundo passo é a aplicação de produtos cosméticos, que depende não só do tipo de pele, como também da idade, explica Joana Dias Coelho. “Uma pele mais madura precisa de mais hidratação, beneficia mais com a aplicação de séruns, além dos cremes de dia e de noite. Numa pele mais jovem, não são precisos tantos passos, basta a aplicação de um creme de dia e um creme de noite.”

Mas, afinal, quais são as diferenças entre os cremes para uso diário e os cremes de uso noturno? Ambos têm “composições diferentes”, nota a dermatologista, com os cremes de noite a utilizarem “substâncias mais irritativas, mas que alisam mais a pele”, promovendo a regeneração das células da pele. Daí que os cremes de noite sejam ligeiramente mais espessos e demorem mais a serem absorvidos pela pele.

Os produtos que utilizamos devem ser adequados ao nosso tipo de pele, que pode ser mais oleosa, mista ou mais seca. Segundo Joana Dias Coelho, quem tem os “poros mais abertos, geralmente tem uma pele mais oleosa”. Mas o tipo de pele também se altera conforme a idade. “Até aos 20, 25 anos, a maior parte das pessoas tem pele oleosa, exceto se houver uma história de eczemas ou outras inflamações da pele. Só depois é que a pele começa a não ficar tão oleosa.”

Com o avançar da idade, é importante aplicar ainda “cremes com uma ação antirrugas, antioxidante - quer seja com vitamina C ou com ácido glicólico”, acrescenta a especialista.

Proteção solar sempre, faça chuva ou faça sol

Com o aproximar do verão, surge naturalmente uma maior procura de protetores solares, mas este não é um cuidado exclusivo para esta altura do ano, lembram os especialistas, que salientam a necessidade de utilizar protetor solar “o ano inteiro”, faça chuva ou faça sol.

E nunca uma proteção abaixo do fator 50, salienta o dermatologista Fernando Guerra, acrescentando que é frequente as pessoas utilizarem protetores solares com fator 30 durante o inverno e, quando chega o verão, não alteram a proteção por considerarem que não fará diferença. Outras vezes, prossegue, começam o verão a colocar um protetor com fator 50, e vão diminuindo gradualmente a proteção ao longo do tempo, por considerarem que já estão bronzeados e já não precisam de uma proteção tão elevada. Duas situações que, de acordo com o dermatologista, levam geralmente a um escaldão ou a outros problemas de pele.

Mas, à semelhança dos restantes produtos de rosto, também os protetores solares devem ser adequados ao nosso tipo de pele, como explica a dermatologista Joana Dias Coelho. “Na proteção solar, é sempre melhor a utilização de protetores solares oil free (sem óleo) - na verdade, a maior parte dos produtos solares já têm uma composição oil free, pois há uma preocupação em não serem comedogénicos, quer dizer, a não potenciar o aparecimento da acne.”

Utilizar maquilhagem: sim ou não?

Para o dermatologista Fernando Guerra pode-se utilizar maquilhagem, desde que seja “oil free e cosmeticamente boa”, lembrando que as farmácias já têm hoje à venda uma vasta gama de produtos de maquilhagem cuja composição é aprovada pelos dermatologistas.

Antes de colocar uma base, contudo, deve-se colocar primeiro o creme hidratante de rosto, o protetor solar de fator 50 e só depois a base da maquilhagem, acrescenta o médico.

Um alerta sobre o uso de retinol no verão 

Fernando Guerra alerta para a utilização de retinol durante o verão, um ingrediente derivado da vitamina A utilizado em alguns produtos, como séruns, e que atua contra o envelhecimento da pele. Só que “esta substância não se pode usar no verão, porque é sensível ao sol”, isto é, a exposição ao sol pode resultar em queimaduras ou outras lesões na pele, avisa.

O que fazer se as lesões persistirem?

Existem hoje no mercado vários produtos para o tratamento de pele acneica, mas quando as lesões são persistentes, ativas e continuam a surgir cada vez mais, o tratamento pode ter de passar para uma terapêutica oral, conforme o diagnóstico do dermatologista, em consulta médica.

“Numa fase inicial, os cremes ajudam a controlar a oleosidade da pele. A cosmética evoluiu de uma maneira que nos permite ter hoje produtos cosméticos que ajudam bastante, mas quando temos lesões ativas e aparecem cada vez mais, são necessários medicamentos tópicos, de toma oral”, explica Joana Dias Coelho.

Além de todos estes cuidados mais específicos, os dermatologistas lembram que a prática de hábitos saudáveis também se reflete na saúde da pele. É importante, por isso, ter uma alimentação saudável, variada e com verduras, dado que “a riqueza de nutrientes beneficia a qualidade da pele”. 

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