Seis razões para se vacinar as crianças contra a covid-19

18 dez 2021, 14:27

No dia em que começa a vacinação das crianças entre os 5 e os 11 anos, o pediatra Jorge Sales Marques, que durante anos trabalhou nos Serviços de Saúde de Macau, explica as seis razões para que, na sua opinião, se deva avançar com a imunização nestas idades. O médico do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho lidou com várias casos de covid-19 em crianças quando dirigiu o serviço de pediatria no hospital principal de Macau

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Antes de Portugal começar a vacinar as crianças dos 5-11 anos, já alguns países tinham iniciado este processo. 

A China foi o primeiro país a fazê-lo, até de uma forma mais precoce, com início aos 3 anos de idade, com a vacinas da Sinovac e da Biontech. Outros países seguiram os mesmos passos, tais como os Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Israel, mas apenas da farmacêutica americana.

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Alguns países da Europa ficaram dependentes da decisão da autoridade europeia para o medicamento(EMA), para tomarem uma posição final sobre o assunto. 

Portugal, que habitualmente tem seguido as orientações da EMA, aprovou a sua utilização, após parecer técnico da Comissão Técnica da Vacinação e posterior confirmação da Direção Geral de Saúde (DGS).

Após alguns avanços e recuos, fruto de opiniões contraditórias, inclusive de alguns pediatras, sobre a pertinência na vacinação em crianças deste grupo etário, principalmente pelos possíveis efeitos secundários a médio e longo prazo, a decisão final acabou por pairar sobre o avanço imediato da vacinação.

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Apesar de não haver um consenso alargado entre os especialistas de várias áreas (pediatras, virologistas, infeciologistas e médicos de saúde pública),sobre a introdução da vacinação nestas idades, a decisão da DGS foi correta. Passo a esclarecer:

1 - A vacina da Biontech foi preparada para ser aplicada numa dosagem inferior à vacina de adulto (1/3 da dose). Se compararmos com a própria vacina da gripe, neste caso a dose para crianças até aos 3 anos é metade da dose de adulto.

2 – A vacina foi testada em milhões de crianças, nomeadamente nos Estados Unidos, sem efeitos secundários graves, não havendo registo de casos fatais ou com sequelas graves nos diversos estudos retrospetivos.

3 – Uma criança com covid-19 pode ter miocardite e pericardite graves, o que não acontece após a vacina, uma vez que estas mesmas complicações são ligeiras e transitórias.

4 – Covid-19 faz aumentar o risco de a criança ter a sua forma mais grave de doença que é a MIS-C, atingindo múltiplos órgãos com possibilidade real de evoluir para a morte. A criança, ao ser vacinada, evita este risco.

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5 – Com a prevalência de casos de covid-19 nesta faixa etária, principalmente até aos 9 anos, é previsível a sua propagação em catadupa nas próximas semanas, pela época natalícia em si e por a variante Ómicron ser muito mais contagiosa que a variante Delta. Pela sua velocidade de replicação, tornar-se-á a curto prazo a variante predominante em Portugal .

6 – Atendendo que uma pequena percentagem da população ainda não foi vacinada, muitos dos cidadãos não terem feito ainda a terceira dose de reforço e uma parte significativa de pessoas apresentarem atualmente com novo risco de serem infectadas  mesmo tendo feito as duas doses, uma vez que os anticorpos circulantes estarem na fase descendente de proteção, que em média são 3 meses após a inoculação, a disseminação exponencial do vírus será uma realidade. 

Tendo em conta que a camada jovem está a infetar de uma forma involuntária os mais velhos, incluindo os seus próprios familiares pelas razões atrás apontadas, é pertinente que este ciclo vicioso seja cortado para benefício de todas as pessoas envolvidas.

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Daí a importância de vacinar as crianças dos 5 aos 11 anos.

Os benefícios superam largamente os riscos.

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