Crianças com vacinação completa não vão precisar de fazer isolamento a partir de março

18 dez 2021, 08:00
Vacinação contra a covid-19 nas crianças (AP)
Vacinação contra a covid-19 nas crianças (AP)

A Direção-Geral da Saúde (DGS) adiantou à CNN Portugal que as regras a aplicar nestes casos são as mesmas que estão previstas para os adultos com esquema vacinal completo, ou seja, no caso de exposição elevada a um caso positivo, as crianças devem fazer teste e, se testarem negativo, não precisam de fazer isolamento profilático

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As crianças entre os cinco e os 11 anos, que serão vacinadas contra a covid-19 já a partir deste fim de semana, ficam isentas de cumprir isolamento profilático caso contactem com um infetado assim que passarem 14 dias após a segunda dose da vacina, confirmou fonte da DGS à CNN Portugal.

Para os especialistas, esta é "a grande vantagem da vacinação das crianças", sobretudo para as escolas, uma vez que, atualmente, quando surge um caso positivo numa turma, os alunos são enviados para casa em isolamento. Nesse sentido, a partir de março, altura em que as crianças dos cinco aos 11 anos tiverem o esquema vacinal completo, o Governo estima que as autoridades de saúde possam alterar o protocolo de prevenção nas escolas.

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A vacinação dos mais novos arranca já este fim de semana, iniciando-se entre as crianças dos 11 aos 10 anos (sendo possível incluir também algumas crianças com nove anos), e descendo gradualmente até às crianças de cinco anos, que receberão a primeira dose da vacina no fim de semana de 22 e 23 de janeiro, segundo o calendário de vacinação apresentado na semana passada, em conferência de imprensa conjunta da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Ministério da Saúde.

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De acordo com o mesmo calendário, as segundas doses serão administradas entre 5 de fevereiro e 13 de março, terminando assim a estratégia de vacinação das crianças. Com o esquema vacinal completo, Graça Freitas admitiu, na mesma conferência de imprensa, que "a vacinação pode modelar os períodos de isolamento, tornando-os mais curtos", como, aliás, já acontece noutras faixas etárias, apontou.

"Todos os dias, nos últimos 14 dias, 451 crianças dos cinco aos nove anos adoeceram com covid-19”, o que perfaz um total de 6.329 casos, adiantou Graça Freitas, na altura, acrescentando: “Se pensarmos que cada criança destas, que está numa escola, originou isolamento de contactos, percebemos o quão pesada é a carga de doença neste grupo etário”.

Questionada posteriormente pela CNN Portugal, fonte da DGS adiantou que "as regras a aplicar nestes casos são as que estão em vigor na norma 0015/2020, ou seja, uma pessoa que tenha um nível de exposição elevado ao caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2, mas que tenha esquema vacinal completo há pelo menos 14 dias, é considerado um contacto de baixo risco".

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Quer isto dizer que, ao contrário dos contactos de alto risco, que estão sujeitos a isolamento profilático, os contactos de baixo risco devem realizar "teste laboratorial o mais precocemente possível e, idealmente, até ao quinto dia após a data da última exposição ao caso confirmado". Caso testem negativo, não precisam de cumprir quarentena.

Existem, contudo, exceções, apontou a mesma fonte da DGS, nomeadamente as crianças e adultos que "coabitem com o caso confirmado em contexto de elevada proximidade (por exemplo, partilha do mesmo quarto)", ou que "sejam contacto de caso confirmado no contexto de um surto em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) ou outras respostas similares dedicadas a pessoas idosas".

"A avaliação é feita pela Autoridade de Saúde local, que avaliará a situação tendo em conta o que está previsto na norma e a situação epidemiológica do país a cada momento, nos termos do ponto 34 da Norma 015/2020 da DGS", acrescentou a mesma fonte, referindo-se, assim, ao ponto da norma que estabelece que, "em situação excecionais, a Autoridade de Saúde pode determinar, fundamentada numa avaliação de risco caso-a-caso, o isolamento profilático a contactos de caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2 / COVID-19 noutras circunstâncias" que não estejam previstas no documento.

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Vacinação pediátrica pode alterar protocolos nas escolas, estima Governo

Esta sexta-feira, o ministro da Educação admitiu que a vacinação das crianças pode ser motivo para alterar os protocolos da covid-19 nas escolas, que poderão ser, a partir de março, os mesmos que são aplicados ao “resto da sociedade, nomeadamente das crianças e jovens do terceiro ciclo e do ensino secundário".

“Acreditamos que as autoridades de saúde, a partir do momento que as crianças destas idades estejam vacinadas, mudarão o protocolo. A partir do momento em que exista um caso positivo numa determinada sala ou turma não terão todas de ter o isolamento profilático a que agora assistimos e que sabemos que não é positivo”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues, em declarações aos jornalistas, no final de uma visita à Escola Profissional e Artística do Alto Minho.

O ministro prevê, por isso, que, “a partir do momento em que os alunos são testados e dão negativo podem voltar, automaticamente, à escola”.

Fim da quarentena "é a grande vantagem" da vacinação das crianças, diz especialista

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Questionado pela CNN Portugal, o pediatra Manuel Magalhães, do Centro Materno-Infantil do Norte, considerou que esta medida é a que está "mais bem estudada" até ao momento, sendo, aliás, recomendada pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, no acrónimo em inglês), 

Para Manuel Magalhães, esta é, aliás, "a grande vantagem de vacinar as crianças”, uma vez que esta orientação permite que, se uma criança numa determinada turma testar positivo à covid-19 e os seus colegas já tenham o esquema vacinal completo - isto é, já tenham passado 14 dias desde a administração da segunda dose - estes apenas têm de fazer o teste de despiste à covid-19 e, caso testem negativo, "podem continuar a ir à escola", explicou.

Por outro lado, no caso das crianças sem o esquema vacinal completo (isto é, sem qualquer dose da vacina, com apenas uma dose, ou no caso de ainda não terem passado 14 dias desde a segunda dose) essas “terão de ficar em isolamento durante 14 dias, caso não façam nenhum teste, ou 10 dias, se fizerem um teste negativo ao décimo dia” de isolamento, como já acontece atualmente, explicou.

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