O relato de Zelensky sobre o "dia interminável" em que esteve a poucos quilómetros de Severodonetsk

6 jun, 02:41
Volodymyr Zelensky

Presidente ucraniano esteve na cidade vizinha de Severodonetsk, onde decorrem os combates mais duros com os russos. Numa mensagem vídeo, falou do "dia interminável" em que visitou três cidades, em três regiões da linha da frente. Levou palavras de incentivo e promessas de apoio; trouxe "confiança e força"

Volodymyr Zelensky visitou este domingo não uma, mas três cidades ucranianas próximas da linha da frente dos combates contra os invasores russos: para além de Zaporizhzhia, na região administrativa com o mesmo nome, o presidente ucraniano esteve também em duas cidades do Donbass, a parte da Ucrânia que está sob maior pressão dos ataques russos, desde que Moscovo reorientou as suas tropas após a tentativa falhada de tomar a capital, Kiev.

Segundo informou o próprio Zelensky, no habitual vídeo noturno com uma mensagem ao país, este esteve em Lysychansk, na região de Lugansk, e em Soledar, no oblast de Donetsk. Duas localidades perto da frente de combate do Leste, onde a situação é particularmente difícil para os ucranianos, como Zelensky tem admitido várias vezes.

Lysychansk fica a cerca de 10 quilómetros do centro de Severodonetsk, a cidade que está a ser disputada palmo a palmo por ucranianos e russos. No Twitter, Oliver Carrol, o jornalista que acompanha esta guerra para a revista The Economist, salientou que o facto de Zelensky ter estado naquela cidade "resolve a questão de saber se a Ucrânia tem o controlo da estrada de abastecimento" a Severodonetsk. Carrol comentou também que pode haver opiniões sobre este gesto "notável" de Zelensky - "Corajoso ou imprudente - você decide" - mas que uma coisa é bastante "clara": "Putin não vai fazer nada semelhante em breve". Aliás, acrescenta o jornalista de The Economist, "os propagandistas farão tudo o que estiver ao seu alcance para manter as imagens [de Zelensky na linha da frente] longe dos ecrãs de televisão russos".

Quanto a Soledar, fica mais a sul, a meio caminho entre Severodonetsk e Kramatorsk. Tem sido alvo de repetidos bombardeamentos russos, e boa parte da sua população já foi obrigada a fugir para outras localidades.

"Trouxe confiança e força"

No domingo à noite, numa mensagem-vídeo mais curta do que tem sido habitual (menos de dois minutos), Zelensky fez o relato de "um dia interminável".

"Estou orgulhoso de todos os que conheci, a quem apertei as mãos, com quem falei, a quem dei apoio. Levámos algo para os militares, mas não vou falar disso em detalhe", disse o chefe do Estado, sobre a deslocação à frente Leste. Em troca, disse, trouxe "confiança e força". 

Em Zaporizhzhia, Zelensky conta que ouviu os relatórios da situação no terreno, deu apoio aos militares ucranianos e premiou os que se têm destacado nos combates. Reuniu-se com as várias autoridades locais e com presidentes de câmara expulsos de algumas das cidades "temporariamente ocupadas". 

Encontrou-se também com refugiados de Mariupol - quase todos mulheres e crianças, pois os homens, na sua maioria, ou foram mortos ou estão a combater. "Entendi as questões difíceis que colocaram, acho que as vamos resolver", disse Zelensky, sobre a situação destes deslocados. "Uma tragédia", reconheceu o presidente ucraniano, "mas temos de viver pelas crianças".

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