Erdogan luta pela sobrevivência e segunda volta parece cada vez mais certa

João Guerreiro Rodrigues , Notícia atualizada às 23:57
14 mai 2023, 17:38
Eleições na Turquia (EPA)

Cerca de 61 milhões de eleitores puderam exercer o seu direito de voto nas 192 mil urnas distribuídas pelas 81 províncias do país

O atual presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, continua à frente nas eleições presidenciais, com 49,44%, numa altura em que estão contados mais de 96% dos votos, segundo a agência noticiosa oficial turca Anadolu. Com este resultado, o líder turco não consegue assegurar os 50% necessários para garantir a maioria absoluta e vai ser obrigado a disputar a segunda volta, dentro de duas semanas.

O seu principal adversário Kemal Kiliçdaroglu tem vindo a recuperar a vantagem e segue com 44,86%, numa altura em que ainda estão a ser contabilizados os votos dos principais centros urbanos, onde a oposição tem uma forte presença. 

Em Portugal, com 50% dos votos contados, Kiliçdaroglu dominou por completo as intenções dos imigrantes turcos ao obter 91,11% dos votos, muito à frente dos 4,61% de Erdogan.

Sinan Oğan, líder do movimento nacionalista MHP tem 5,27% das preferências de votos. Com quase três milhões de votos, os eleitores de Oğan podem revelar-se cruciais para o desfecho da segunda volta.

A contagem por parte do Conselho Eleitoral Supremo ocorre de forma um pouco mais lenta. Segundo o presidente do conselho, Ahmet Yener, já estão apurados 71,6% dos votos no país e 18,7% dos votos feitos no estrangeiro.

O líder da coligação que quer tirar Erdogan da presidência já reagiu através das redes sociais aos primeiros dados avançados pelas agências de notícias e garante que estão à frente da corrida. 

Horas mais tarde, o presidente turco também reagiu ao sublinhar a "grande maturidade democrática" do país, acrescentando que apressar o anúncio de um vencedor destas eleições enquanto a contagem decorre é "usurpar" a vontade do povo.

"O fato de as eleições de 14 de maio terem ocorrido sob a forma de uma grande festa da democracia com paz e sossego é uma expressão da maturidade democrática da nossa Turquia. Enquanto a eleição foi realizada numa atmosfera tão positiva e democrática e a contagem dos votos ainda está em andamento, tentar anunciar os resultados às pressas significa usurpar a vontade nacional", escreve Erdogan no Twitter.

Algumas horas depois, o presidente turco fez uma aparição surpresa em Istambul, onde cumprimentou os seus apoiantes, antes de entrar no seu carro e viajar em direção à capital, Ancara, para aguardar a contagem dos votos oficiais. 

Acusações de manipulação

Ekrem Imamoglu, autarca de Istambul e membro da coligação de Kiliçdaroglu, acusou a agência de notícias estatal Anadolu de "manipular os resultados" e apelou aos seus apoiantes para não confiarem nos resultados ai anunciados. 

“Eles enganam a nossa nação ao administrar as urnas que trabalham para eles. Eles também não sentem vergonha. Eles não têm credibilidade… De acordo com os dados que temos, o nosso presidente Kemal Kilicdaroglu está à frente”, escreveu Ekrem Imamoglu num comunicado.

O partido de Erdogan já reagiu às acusações da oposição. O porta-voz do AKP veio a público criticar a postura "ditatorial" dos seus adversários que "mesmo antes dos resultados estarem finalizados", vieram a público atacar a agência estatal que "está a obter os dados de pessoas reais". 

“Eles fizeram uma declaração muito grave. Eles estão a atacar a Agência Anadolu e a declarar o resultado de uma eleição. Esta é uma abordagem ditatorial. É uma tentativa de assassinar a vontade nacional”, afirmou.

AKP domina legislativas

Nas eleições legislativas, que também decorreram este domingo, a aliança formada em torno do AKP, o partido islamista de Erdogan, obteve 50% dos votos e 325 dos 600 assentos parlamentares, com o que manterá a maioria absoluta de que dispõe há 20 anos.

O partido de Kiliçdaroglu, o CHP (Partido Republicano do Povo), e os seus aliados conquistaram 34% e 215 mandatos parlamentares e o partido esquerdista pró-curdo HDP (Partido Democrático dos Povos) e seus aliados asseguraram 60 deputados, quando estavam contabilizados 82% dos votos.

As assembleias de voto para eleger um Presidente e um parlamento na Turquia encerraram às 15:00 de este domingo (17:00 locais), tendo as eleições decorrido sem incidentes.

Desde as 08:00 locais (05:00 em Lisboa), cerca de 61 milhões de eleitores puderam exercer o seu direito de voto nas 192.000 urnas distribuídas pelas 81 províncias do país, com um sexto dos eleitores a votarem na região de Istambul.

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