"Fiquei muito feliz por eles". Mãe de jovem que viajou no Titan revela que abdicou do lugar porque filho "queria mesmo ir" na expedição

26 jun 2023, 15:35
Família Dawood (Reuters)

Na primeira entrevista depois da implosão do submersível onde seguiam Suleman e Shahzada Dawood, Christine revelou que estava a bordo do navio de apoio quando Titan deixou de comunicar e que só perdeu a esperança quando o prazo das 96 horas se esgotou

Christine Dawood, mãe e mulher de dois dos passageiros que seguiam a bordo do submersível Titan, falou pela primeira vez sobre o que aconteceu. Em entrevista à BBC News, a mãe de Suleman Dawood revelou que, inicialmente, era ela que deveria estar a bordo do Titan mas que tomou a decisão de passar o seu lugar para o filho, que ansiava participar na expedição.

A viagem esteve programada para acontecer antes da pandemia de Covid, mas acabou cancelada. Nessa altura, era Christine Dawood quem iria ver os destroços do Titanic com o marido, naquele que era o "sonho de toda a vida" do marido e que, por isso, o casal tinha planeado fazê-lo juntos. Mas, o entusiasmo do filho de 19 anos, por resolver cubos de Rubik, a fez repensar a decisão.

Suleman levava um cubo consigo para onde quer que fosse e, no dia da expedição, não foi exceção. A bordo do Titan, o jovem estudante na Universidade de Strathclyde, em Glasgow, pretendia bater um recorde mundial a uma profundidade de 3700 metros, dentro dos destroços do Titanic.

"Ele disse: 'Vou resolver o cubo de Rubik a 3700 metros de profundidade no Titanic'", recorda Christine, revelando que cedeu o lugar ao filho "porque ele queria mesmo ir", contrariando as declarações da tia de que o jovem estava "apavorado" com a viagem.

"Fiquei muito feliz por eles, porque ambos queriam fazer aquilo há muito tempo", afirmou ainda, não respondendo, no entanto, à questão sobre como se sentia agora com o facto de o filho ocupar o seu lugar no submersível.

No dia da partida da expedição, a família Dawood, incluindo Christine e a filha Alina, de 17 anos, embarcou no Polar Prince, o navio de apoio ao Titan, no Dia do Pai. Despediram-se de Suleman e Shahzada, marido de Christine, sem saber o rumo trágico que os acontecimentos iriam tomar. Christine recorda que, nos momentos que antecederam o embarque do marido e do filho no submersível, a família se abraçou e fez piadas.

Christine e a filha estavam a bordo do navio de apoio quando Titan deixou de comunicar

Naquela que é a sua primeira entrevista desde o incidente, Christine Dawood expressou ainda a sua profunda admiração pelo marido e pelo filho. Shahzada Dawood, um empresário paquistanês, e Suleman pertenciam a uma família de empresários de renome, conhecida pelas suas contribuições para vários sectores. Shahzada, descrito como curioso e apaixonado, tinha “um entusiasmo infantil por explorar o mundo que o rodeava” e reunia frequentemente a família depois do jantar para ver documentários.

A falha de comunicação com o Titan ocorreu enquanto Christine e Alina ainda estavam a bordo do Polar Prince mas, "nesse momento", a mulher de Shahzada não percebeu "o que isso significava". 

"A partir daí, as coisas não pararam mais. Acho que perdi a esperança quando passámos a marca das 96 horas", recorda, revelando que foi nessa altura que enviou uma mensagem à família. "Disse: 'Estou a preparar-me para o pior'. Foi nessa altura que perdi a esperança".

Já Alina, a filha, aguentou um pouco mais, não tendo perdido "a esperança até à chamada da Guarda Costeira".

Agora, Christine, que tenciona continuar o trabalho do marido, e Alina vão tentar aprender a terminar o cubo de Rubik em honra de Suleman.

Pai e filho morreram no mergulho aos destroços do Titanic, juntamente com outros três parceiros a bordo do submersível da OceanGate. O Titan implodiu na quinta-feira, dia 22.

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