Uma imagem incrivelmente detalhada de uma galáxia anã - o feito é do telescópio Webb

CNN , Jackie Wattles
13 nov, 19:00
Uma porção da galáxia anã Wolf-Lundmark-Melotte é mostrada, tal como capturada pelo Telescópio Espacial Spitzer (esquerda) e pelo Telescópio Espacial James Webb. A imagem do Webb mostra muito mais detalhes (NASA/ESA/CSA/IPAC/Kristen McQuinn)

O telescópio espacial James Webb capturou uma imagem incrivelmente detalhada de uma galáxia anã. A imagem conseguida através de infravermelhos próximos é a visão mais clara até hoje de um cenário estelar, que pode dar aos astrónomos uma forma ideal para estudar aspetos do universo primitivo.

A imagem mostra uma panóplia de estrelas pertencentes a uma solitária galáxia anã, chamada Wolf-Lundmark-Melotte, que fica a cerca de três milhões de anos-luz da nossa galáxia, a Via Láctea, e tem cerca de um décimo do seu tamanho.

A galáxia WLM intriga os astrónomos porque permaneceu extremamente isolada e tem uma composição química semelhante às galáxias do universo primitivo, de acordo com a NASA.

O telescópio Webb, lançado em dezembro de 2021, é o observatório espacial mais poderoso até à data. É capaz de detetar a luz ténue de galáxias incrivelmente distantes, pois emitem luz infravermelha, invisível ao olho humano.

O telescópio espacial Hubble e o agora extinto telescópio espacial Spitzer já tinham capturado imagens da galáxia WLM, mas o Webb utilizou a sua câmara de infravermelhos próximos - Near-Infrared Camera, também conhecida por NIRCam - para a registar com um nível de detalhe sem precedentes.

"Podemos ver um número infindável de estrelas individuais de diferentes cores, tamanhos, temperaturas, idades e estágios de evolução; interessantes nuvens de gás nebular dentro da galáxia; estrelas em primeiro plano com picos de difração do Webb; e galáxias de fundo com características nítidas, como caudas de maré", afirma Kristen McQuinn, professora assistente no departamento de física e astronomia da Universidade Rutgers em Piscataway, Nova Jérsia, num comentário publicado no site da NASA. Uma cauda de maré é uma fina "cauda" de estrelas e gás interestelar, que se estende ao largo de uma galáxia.

 "É realmente uma imagem deslumbrante", acrescenta McQuinn, que é uma das principais cientistas do programa Webb Early Release Science.

No Twitter, a conta oficial do telescópio Webb da NASA declarou que, comparada com imagens do observatório espacial anterior, a imagem capturada pela NIRCam "faz tudo aquilo brilhar" - uma referência à canção "Bejeweled" do novo álbum de Taylor Swift, "Midnights".

Algumas das estrelas retratadas nesta última imagem do Webb são estrelas de baixa massa, formadas no universo primitivo, e são capazes de sobreviver durante milhares de milhões de anos, indica McQuinn no site da NASA.

"Ao determinar as propriedades destas estrelas de baixa massa (como a sua idade), conseguimos ter um vislumbre do que aconteceu num passado muito distante", sublinha.

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