Novas e impressionantes imagens do James Webb revelam segredos do nascimento das estrelas

CNN , CNN, Katie Hunt
17 set, 19:00
A nebulosa de Órion captada pelo Telescópio Espacial Hubble, à esquerda, e pelo Telescópio Espacial James Webb, à direita

Imagens “de tirar o fôlego” de um berçário estelar na Nebulosa de Órion, captadas pelo Telescópio Espacial James Webb, revelam pormenores complexos sobre a formação de estrelas e sistemas planetários.

As imagens divulgadas revelam mais sobre um ambiente semelhante ao nosso sistema solar, quando este se formou há mais de 4,5 mil milhões de anos. Observar a Nebulosa de Órion ajudará os cientistas espaciais a compreender melhor o que aconteceu durante o primeiro milhão de anos da evolução planetária da Via Láctea, disse num comunicado à imprensa o astrofísico Els Peeters, da Western University.

“Estamos impressionados com as imagens incríveis da Nebulosa de Órion. Iniciámos este projeto em 2017, portanto, estamos há mais de cinco anos à espera destes dados”, disse Peeters.

“Estas novas observações permitem-nos compreender melhor como é que as estrelas gigantes transformam a nuvem de gás e poeira na qual nascem”, acrescentou Peeters.

O interior da Nebulosa de Órion visto pelo instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb

O centro dos berçários estelares como a Nebulosa de Órion são obscurecidos por grandes quantidades de poeira estelar, tornando impossível estudar o que acontece no interior com instrumentos como o Telescópio Espacial Hubble, que depende principalmente da luz visível.

O Webb, no entanto, deteta a luz infravermelha do cosmos, o que permite aos observadores verem através dessas camadas de poeira, revelando o que acontece mesmo no centro da Nebulosa de Órion, disse o comunicado. As imagens são as mais pormenorizadas e nítidas alguma vez captadas da nebulosa - que se situa na constelação de Órion, a 1350 anos-luz da Terra - e constituem a mais recente oferta do Telescópio Webb, que começou a trabalhar em julho.

“Observar a Nebulosa de Órion era um desafio porque é demasiado brilhante para os instrumentos do Webb, de uma sensibilidade sem precedentes. Mas o Webb é incrível. O Telescópio Webb pode observar galáxias distantes e ténues, bem como Júpiter e Órion, que são algumas das fontes mais brilhantes no espectro infravermelho do céu”, disse em comunicado à imprensa o cientista Olivier Berné do CNRS, o Centro Nacional Francês de Investigação Científica.

As novas imagens revelam inúmeras estruturas dentro da nebulosa, incluindo “proplyds”, abreviatura de disco protoplanetário ionizado, - uma protoestrela central cercada por um disco de poeira e gás no qual os planetas se formam.

“Nunca tínhamos conseguido ver os intrincados pormenores de como a matéria interestelar é estruturada nesses ambientes nem descobrir como os sistemas planetários se formavam na presença dessa radiação severa. Estas imagens revelam a herança do meio interestelar em sistemas planetários”, disse Emilie Habart, professora associada do Instituto de Astrofísica Espacial (IAS) em França.

Também claramente visível no centro da Nebulosa de Órion está o aglomerado trapézio de jovens estrelas gigantes que moldam a nuvem de poeira e gás com a sua intensa radiação ultravioleta, segundo o comunicado de imprensa. Entender como essa radiação afeta aquilo que cerca o aglomerado é fundamental para perceber a formação dos sistemas estelares.

“As estrelas gigantes jovens emitem grandes quantidades de radiação ultravioleta diretamente para a nuvem nativa que ainda as rodeia, e isso altera a forma física da nuvem, bem como a sua composição química. A precisão com que isso funciona e como afeta a formação das estrelas e dos planetas ainda não é bem conhecida”, disse Peeters.

As imagens serão estudadas por um grupo de colaboração internacional composto de mais de 100 cientistas em 18 países, conhecido por PDRs4All.

Relacionados

Ciência

Mais Ciência

Patrocinados