Banco Central Europeu volta a subir taxas de juro

15 jun 2023, 13:15

Banco Central Europeu continua a subir taxas de juro para controlar inflação. Ciclo de subidas só deverá inverter-se em 2024

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira, numa reunião de política monetária, voltar a subir as taxas de juro em 25 pontos base, indo ao encontro do que era esperado pelos analistas.

Com esta subida, a autoridade monetária aumenta a taxa dos depósitos para 3,50%, a mais elevada desde maio de 2001, enquanto as taxas de juro aplicáveis às operações de refinanciamento e de cedência de liquidez sobem para 4% e 4,25%, respetivamente.

“A inflação tem vindo a descer, mas as projeções indicam que permanecerá demasiado elevada durante demasiado tempo. O Conselho do BCE está empenhado em assegurar o retorno atempado da inflação ao seu objetivo de médio prazo de 2%. Por conseguinte, decidiu hoje aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base”, explicou o BCE em comunicado.

No início de maio, a instituição liderada por Christine Lagarde aumentara as taxas em 25 pontos base para 3,75%, um abrandamento apoiado pela maioria dos membros do Conselho. Antes disso, o BCE tinha subido as taxas de juro em 50 pontos base.

Contudo, segundo a ata da última reunião, alguns membros do Conselho do BCE defenderam uma nova subida em 50 pontos base para controlar os riscos inflacionistas, uma decisão que “demonstraria mais claramente a determinação […] em alcançar a estabilidade dos preços face a uma inflação elevada e mais persistente”.

No comunicado divulgado em maio, porém, a instituição não deu qualquer indicação clara sobre a continuação do ciclo de subida das taxas de juro.

As decisões futuras do BCE "garantirão que as taxas de juro ficam em níveis suficientemente restritivos para permitir um regresso rápido da inflação ao objetivo de 2% a médio prazo", indicava o texto.

Perante este cenário, era esperado que o BCE voltasse a aumentar as taxas de juro em 25 pontos base - o que se veio a confirmar na reunião desta quinta-feira -, mantendo uma política restritiva até a inflação regressar ao patamar dos 2%.

A ATL Capital dava como certo este novo aumento das taxas, acrescentando que poderá repetir-se no próximo mês. Os analistas do banco Nomura (Luxemburgo) antecipavam igualmente um aumento nesta ordem e esperam que o BCE reduza marginalmente as suas projeções para o crescimento do PIB, admitindo que a instituição liderada por Christine Lagarde só começará a cortar as taxas no quatro trimestre de 2024.

O BCE começou a subir as suas taxas de juro em julho do ano passado, tendo aprovado anteriormente vários aumentos de 50 e de 75 pontos base.

Fed fez pausa no ciclo de subidas

Depois de aumentar as taxas de juro em todas as reuniões desde março de 2022, a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira a tão aguardada pausa no ciclo de aperto da política monetária, a mais mais agressiva em 40 anos.

Com um aumento acumulado de 500 pontos base (cinco pontos percentuais) em dez reuniões (14 meses), o banco central norte-americano prefere agora esperar para ver como evolui a economia em reação às taxas de juro em níveis restritivos e se a inflação persiste numa trajetória descendente rumo à meta dos 2%, decidindo pela manutenção da taxa de juros do país, que fica entre 5% e 5,25% ao ano.

"É provável que se verifiquem novos aumentos das taxas este ano”, referiu Jerome Powell na sua intervenção na conferência de imprensa, após a divulgação da decisão da Fed, salientado que estão “fortemente empenhados em alcançar uma inflação de 2%” e que esse objetivo “ainda está longe de ser alcançado.”

Além disso, Powell destacou que “pode fazer sentido que as taxas possam subir, mas a um ritmo mais moderado”, tudo com o intuito de controlar a inflação. Segundo o presidente da Fed, “se não mantivermos uma estabilidade dos preços não conseguiremos garantir uma estabilidade do mercado de trabalho".

A decisão não gerou consenso, entre os economistas e os próprios responsáveis da Fed. Vários especialistas consideraram que não estavam reunidas as condições para uma pausa nos juros e diversos membros do banco central não têm escondido que são contra esta interrupção que pode abrandar a luta contra a elevada inflação.

Os economistas e os investidores estão a atribuir uma probabilidade elevada a um agravamento adicional de 25 pontos base, que poderá surgir já em julho.

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