A Netflix pode bloquear a partilha de palavra-passe. O que é que isso significa?

CNN , Frank Pallotta, CNN Business
26 abr, 19:00
Netflix

As ações da Netflix caíram recentemente após a plataforma ter reportado a sua primeira quebra de subscritores em mais de uma década. A empresa apontou a partilha generalizada de palavras-passe como um fator prejudicial para as receitas.

Isto significa que o serviço de streaming está prestes a expulsar milhões de utilizadores de contas partilhadas? Não propriamente, mas pode significar que os assinantes da Netflix de todo o mundo podem ter de atualizar os custos para manter o acesso dos filhos, amigos ou colegas.

Durante anos, a Netflix tem permitido aos assinantes partilhar as suas palavras-passe sem grandes burocracias. Na verdade, o serviço até admitiu, em carta enviada aos investidores, que esta política provavelmente ajudou a impulsionar o seu crescimento ao "fazer com que mais pessoas utilizassem e desfrutassem" do serviço.

No entanto, esse crescimento estagnou significativamente e a empresa explicou, na semana passada, que está agora a estudar a melhor forma de "rentabilizar a partilha". Estima a Netflix que os 222 milhões de assinantes em todo o mundo partilham o serviço "com mais de 100 milhões de famílias adicionais".

Será este o fim da partilha de palavra-passe da Netflix?

O que é que isto significa em termos práticos? Não é claro, uma vez que a Netflix está nesta fase inicial a tentar perceber como pode rentabilizar a partilha de contas.

No mês passado, a empresa disse que está há um ano a trabalhar em formas de "permitir que os membros que partilham o serviço fora da sua casa o possam fazer de forma fácil e segura, pagando, no entanto, um valor adicional". O que significa que, provavelmente, vai ter de pagar pelas pessoas extra que utilizam a sua conta.

A empresa implementou dois testes em três mercados estrangeiros sobre esta tipologia de partilha denominados "Membro Extra" e "Transferência de Perfil". Os custos variam com base em vários fatores, mas afirmam que as partilhas podem ser expandidas, acrescentando "um montante adicional no preço de um Plano Básico".

Com o "Membro Extra", os assinantes dos planos standard e premium da Netflix podem acrescentar uma conta para até duas pessoas que não vivam com eles.

Estes membros "extra" terão acesso completo à conta principal, bem como os próprios perfis e logins. Os membros "extra" não serão contabilizados nos números globais de assinantes pagos da Netflix.

Por isso, se tiver alguém na sua conta que não viva em sua casa – um filho na faculdade, um amigo, um primo distante, o que quer que seja – terá de pagar um valor extra por esse acesso.

A opção "Transferência de Perfil" permite aos subscritores de qualquer pacote transferir as suas informações de perfil - nomeadamente o seu histórico de visualização - para uma nova conta paga.

Ambas as tipologias de partilha estão atualmente a ser testadas no Chile, Costa Rica e Peru. A Netflix testa, por norma, novos formatos em mercados mais pequenos antes de os lançar numa escala maior e, neste momento, não é ainda claro se as opções "Membro Extra" ou "Transferência de Perfil" se tornarão numa oferta a expandir ou se serão eliminadas.

Contudo, com as ações da empresa a cair e os investidores a questionarem o seu potencial de crescimento futuro, é uma boa aposta que estas ou outras opções semelhantes possam ser implementadas o mais depressa possível.

O que acontecer com a Netflix também deverá acontecer com outros

"Tentámos sempre facilitar a partilha dentro da casa de um assinante, com formatos como perfis e múltiplos streams. Embora estas tenham sido muito populares, criaram confusão sobre quando e de que forma Netflix pode ser partilhada com outros agregados familiares", explicou a empresa. "Embora não possamos rentabilizar tudo neste momento, acreditamos que é uma grande oportunidade a curto e médio prazo".

Por outro lado, obrigar os clientes a pagar pelo privilégio de partilharem as suas contas poderá ser um tiro no pé, até porque a Netflix já tinha aumentado os preços no início deste ano.

A empresa só agora começou a trabalhar no sentido de perceber como pode rentabilizar a partilha de passwords e se a Netflix mantiver esta solução como uma solução viável, é provável que outras plataformas sigam o mesmo caminho. Na qualidade de líder do mundo do streaming, a decisão da Netflix poderá ter repercussões em toda a indústria.

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