Israel reconhece que é “altamente provável” que um soldado seu matou Shireen Abu Akleh

5 set, 19:03
Shireen Abu Akleh

A jornalista da Al-Jazeera foi baleada na cabeça enquanto cobria um ataque israelita em Jenin a 11 de maio

O exército israelita concluiu esta segunda-feira que é “altamente provável” que um dos seus soldados tenha sido responsável pela morte da jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh. Esta reação, avançada pela BBC, surge 117 dias depois do incidente e é o mais perto que Israel já esteve de admitir qualquer tipo de responsabilidade na morte da jornalista.No entanto, o exército israelita descartou a hipótese de avançar com uma investigação criminal sobre os soldados envolvidos. O caso fica efetivamente encerrado.

A família de Shireen Abu Akleh realça que “não ficou surpreendida” com o facto de as forças israelitas estarem a tentar ocultar o que realmente aconteceu para evitar que lhes seja imputado qualquer tipo de responsabilidade.

Dias após a morte da jornalista, a investigação da Autoridade Palestiniana sobre o assassínio concluiu que a jornalista foi morta a tiro pelas forças israelitas, que usaram uma bala perfurante.

Segundo o procurador-geral palestiniano, Akram Al-Khatib, a jornalista da Al Jazeera estava a fugir da direção do tiroteio quando a bala de 5,56 mm a atingiu na cabeça, causando uma laceração fatal do tecido cerebral.

Tanto a Autoridade Palestiniana quanto a Al Jazeera acusaram os militares israelitas de matar intencionalmente Abu Akleh enquanto a jornalista cobria um ataque militar israelita em Jenin, a 11 de maio.

Uma investigação da CNN, publicada pouco depois dos acontecimentos, também sugeriu que Abu Akleh foi alvo de um ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF), tendo como base depoimentos de testemunhas oculares, um analista forense de áudio e um especialista em armas explosivas.

Na altura os responsáveis israelitas negaram perentoriamente qualquer ligação ao caso.

Em junho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos concluiu também que a jornalista da Al-Jazeera tinha sido morta por tropas israelitas durante o ataque militar a Jenin.

O funeral de Shireen Abu Akleh acabou por ficar marcado por confrontos entre a polícia e os presentes. Uma multidão enlutada encheu as ruas de Jerusalém para assistir ao enterro da jornalista e foi recebida com violência por parte das forças de autoridade israelitas quando tentava carregar o caixão a pé. O funeral decorreu um dia depois de uma procissão memorial, que levou milhares à cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

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