Mais uma jornalista palestiniana morta a tiro e novas cenas de violência no funeral. Soldados israelitas dizem que estava armada e ia atacá-los

3 jun, 11:10
Ghufran Hamed Warasneh (Foto via Twitter)

Ghufran Warasneh tinha 31 anos e foi baleada no peito na Cisjordânia, alegadamente quando se encontrava a caminho do trabalho, numa estação de rádio onde tinha começado a trabalhar há poucos dias

As forças israelitas mataram a tiro uma jornalista palestiniana junto ao campo de refugiados palestinianos de Arroub, na Cisjordânia ocupada, entre as cidades de Belém e Hebron.

Segundo a Al Jazeera, a jornalista, que morreu na quarta-feira passada, foi identificada como Ghufran Hamed Warasneh. Foi baleada no peito, alegadamente quando se encontrava a caminho do trabalho - tinha começado a trabalhar há poucos dias numa estação de rádio local. 

"Estava a sair de casa a caminho do emprego", garantem testemunhas citadas pela Al Jazeera. 

Esta não é, porém, a versão do exército israelita. Em comunicado, fonte militar garante que "uma atacante armada com uma faca" avançou em direção a um soldado que conduzia uma "atividade de segurança de rotina". 

Ghufran Warasneh foi morta pelas oito da manhã, hora local, à entrada do campo de refugiados, onde os soldados israelitas estão estacionados em permanência. Ainda foi levada pelo Crescente Vermelho da Palestina para o hospital Al-Ahli, em Hebron, mas morreu pouco tempo depois de ter sido baleada.

O Crescente Vermelho, citado pela Al Jazeera, garante que as forças israelitas tentaram impedir a assistência à jornalista e que levaram 20 minutos até permitir que os socorristas chegassem junto da vítima. 

Cenas de violência no funeral

A jornalista tinha sido libertada da prisão em abril, informou também em comunicado a Sociedade dos Prisioneiros Palestinianos, acrescentando que Warasneh tinha estado detida durante três meses numa prisão israelita. Meios locais avançam que a jornalista tinha sido presa durante a cobertura noticiosa de uma manifestação pró-Palestina e citam a mãe de Warasneh, que revela que a filha se tinha licenciado em jornalismo na Universidade de Hebron e que já tinha trabalhado em alguns órgãos da imprensa local. 

Nas redes sociais, foram entretanto publicados vários vídeos que mostram cenas de violência durante o funeral da jornalista: as forças israelitas terão atacado com gás lacrimogéneo a multidão que se juntou para enterrar Ghufran Warasneh. 

Warasneh é a segunda jornalista palestiniana morta em menos de um mês: Shireen Abu Akleh, repórter da Al Jazeera, foi assassinada a 11 de maio na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada, baleada na cabeça durante um ataque israelita.

Um vídeo viria a mostrar depois que Abu Akleh tinha vestido um colete azul à prova de bala, onde estava escrita a palavra “Press” (Imprensa). O exército israelita alegou que estava a ripostar durante um ataque quando a jornalista foi atingida. 

Desde o início do ano, e segundo o Ministério da Saúde da Palestina, as forças israelitas mataram 59 palestinianos. Já os ataques da Palestina terão feito 19 vítimas mortais em Israel.

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