Estudo recente indica que as alergias e a asma podem estar ligadas a doenças cardiovasculares

CNN , Sandee LaMotte
15 abr, 18:00
Um maior risco de tensão arterial elevada foi encontrado entre as pessoas com asma, afirmaram os investigadores. Foto: Nikola Stojadinovic/E+/Getty Images

Se tiver um historial de asma ou alergias, pode ter um risco acrescido de desenvolver tensão arterial elevada e doenças coronárias, segundo uma nova investigação

Os adultos entre os 18 e 57 anos de idade que sofreram de uma doença alérgica têm um maior risco de vir a ter tensão arterial elevada, de acordo com a investigação, que será apresentada na conferência de Primavera da Faculdade Americana de Cardiologia e da Sociedade Coreana de Cardiologia em Gyeongju, Coreia do Sul.

O maior risco de tensão arterial elevada foi encontrado entre as pessoas com asma, afirmaram os investigadores.

A tensão arterial elevada e o colesterol, juntamente com a falta de exercício, obesidade, diabetes, tabagismo e um historial familiar de problemas cardiovasculares, são fatores chave para as doenças cardíacas, de acordo com os dados dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.

Risco mais elevado de asma

Algumas investigações anteriores também encontraram uma correlação entre as patologias alérgicas e as doenças cardíacas, mas a ligação estabelecida gerava controvérsia, afirmaram os investigadores. Nesta recente investigação, os cientistas testaram as suas hipóteses utilizando dados de mais de 10.000 pessoas com alergias que participaram no Inquérito Nacional de Saúde de 2012, um inquérito dirigido pelo governo à população dos Estados Unidos.

Cada participante ou tinha asma ou pelo menos uma patologia alérgica, como uma alergia respiratória, alimentar ou cutânea.

Para além do risco de tensão arterial elevada, a investigação também descobriu que as pessoas com alergias de idades compreendidas entre os 39 e os 57 anos tinham um risco mais elevado de contrair doença coronária. A doença coronária ocorre quando se forma uma placa nas paredes das artérias que levam o sangue ao coração.

Com base nas suas descobertas, os investigadores encorajaram os profissionais de saúde a acrescentar uma avaliação do risco cardiovascular aos exames clínicos de pessoas com asma e alergias.

"Para doentes com alergias, os médicos devem prescrever uma avaliação de rotina da tensão arterial e o exame de rotina para doenças coronárias para assegurar que os tratamentos precoces são administrados àqueles que venham a contrair hipertensão ou doenças coronárias", afirmou, numa declaração, o autor principal da investigação Yang Guo, um investigador pós-doutorado no Hospital Shenzhen da Universidade de Pequim, na China.

A questão é ‘porquê?’ 

Embora a investigação anterior tenha mostrado haver uma ligação entre a existência de alergias e um risco acrescido de doenças cardiovasculares, "a questão é saber ‘porquê?’", afirmou o pneumologista Dr. Raj Dasgupta, professor assistente de medicina clínica na Keck School of Medicine da Universidade do Sul da Califórnia.

"Não podemos propriamente comprovar qual o fator de causa-efeito, mas a ciência indica que está ligado a mediadores pró-inflamatórios, fatores que desencadeiam inflamação no corpo", afirmou Dasputa, que não participou no estudo.

As alergias podem provocar inflamação no corpo, o que pode ter uma relação com as doenças cardiovasculares. 

As histaminas, por exemplo, aumentam o fluxo de sangue para a zona do corpo que os alergénios atacam, o que faz com que o sistema imunitário envie anticorpos, desencadeando, assim, a inflamação. É por isso que muitos medicamentos para alergias são anti-histamínicos, concebidos para contrariar essa resposta inflamatória.

Embora a inflamação seja a forma que o corpo tem para combater os agentes patogénicos, uma resposta excessiva ou duradoura é um fator subjacente a muitas doenças crónicas, incluindo diabetes, tensão arterial elevada e doenças cardíacas.

Os anti-histamínicos constringem o fluxo sanguíneo, tal como outros medicamentos para alergias de venda livre, como os que contêm a "letra D, que é pseudoefedrina", afirmou Dasgupta. "Esses fármacos contraem os vasos sanguíneos não só no nariz, mas também no resto do corpo, o que pode levar a uma tensão arterial elevada e a um aumento do ritmo cardíaco".

Há outros medicamentos que também podem ter um efeito negativo no sistema cardiovascular, incluindo esteroides frequentemente prescritos para situações de emergência ou ataques de asma, afirmou Dasgupta.

"Os esteroides aumentam a tensão arterial, aumentam os níveis de açúcar no sangue e tanto a tensão arterial elevada como os níveis elevados de açúcar no sangue são fatores de risco muito relevantes para doenças coronárias e acidentes vasculares cerebrais", afirmou. "Podem também causar aumento de peso, que é outro fator de risco".

Acrescente-se tudo isto a outros fatores que podem desencadear inflamação crónica no corpo - tais como açúcar, alimentos altamente processados e fritos, stress, sono deficiente, falta de exercício e poluição, para nomear alguns -- e a resposta "poderia ser decorrente de múltiplos fatores -- uma resposta do sistema imunitário, de medicamentos e de todos estes fatores juntos", afirmou Dasgupta.

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