"Não somos um Estado criminoso como a Federação Russa": Ucrânia nega envolvimento na morte de Darya Dugina

Agência Lusa , RL
21 ago, 12:00
Alexander Dugin e Darya Dugina

Darya Dugina morreu na explosão do carro que conduzia e as autoridades russas suspeitam de um atentado que poderia ter como alvo Aleksandr Dugin

A Ucrânia negou esta domingo qualquer envolvimento na morte da filha do filósofo ultranacionalista russo Aleksandr Dugin, considerado o ideólogo do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Darya Dugina morreu na explosão do carro que conduzia na região de Moscovo, no sábado à noite, e as autoridades russas suspeitam de um atentado que poderia ter como alvo Aleksandr Dugin.

“Sublinho que a Ucrânia nada tem a ver com isto, porque não somos um Estado criminoso como a Federação Russa e não somos um Estado terrorista”, disse o conselheiro presidencial ucraniano Mikhail Podoliak, citado pela agência espanhola EFE.

O conselheiro do Presidente Volodymyr Zelensky comentou que a Rússia começou a “desintegrar-se internamente” e que vários grupos estão a entrar em confronto numa luta pelo poder.

Como parte deste confronto ideológico, a “pressão da informação” na sociedade está a crescer e a guerra na Ucrânia está a ser utilizada como uma via de fuga, enquanto setores nacionalistas se estão a radicalizar ainda mais, acrescentou Podoliak.

As declarações de Podoliak surgiram depois de o líder pró-russo da região separatista de Donetsk, no leste da Ucrânia, ter acusado o regime de Kiev de envolvimento no alegado atentado que vitimou Darya Dugina.

“Numa tentativa de eliminar Aleksandr Dugin, os terroristas do regime ucraniano mataram a sua filha”, escreveu Denis Pushilin na rede social Telegram.

O senador russo Andrei Klishas também considerou tratar-se de um “ataque inimigo” e exigiu que os autores sejam levados à justiça, segundo a EFE.

A explosão que vitimou Dugina, 29 anos, ocorreu quando a jornalista e comentadora política regressava a casa, depois de ter participado com o pai num festival.

Os dois deveriam regressar do evento no mesmo carro, que pertencia a Dugin, mas o filósofo acabou por viajar em outra viatura, de acordo com o violinista Peter Lundstrem, que também assistiu ao festival.

Líder do Movimento Eurasiático, Aleksandr Dugin, 60 anos, tem sido descrito no Ocidente como “cérebro de Putin” e “guia espiritual” da invasão da Ucrânia, embora se desconheça se mantém contactos com o líder russo.

Apoiante da invasão da Ucrânia, como o pai, Darya Dugina foi alvo de sanções das autoridades norte-americanas e britânicas, que a acusaram de contribuir para a desinformação em relação à guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro.

Numa entrevista em maio, descreveu a guerra na Ucrânia como um “choque de civilizações” e manifestou orgulho por ela e o pai terem sido sancionados pelo Ocidente, segundo a BBC.

Aleksandr Dugin também foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2015, na sequência da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014.

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