Parlamento russo quer reconhecer leste da Ucrânia como independente, Kremlin quer evitar "tensões"

21 jan, 11:49
Moscovo (Reuters)

A tensão continua a crescer entre a Rússia e a Ucrânia. Esta reação do Kremlin acontece no mesmo dia em que os principais diplomatas da Rússia e dos Estados Unidos se reúnem de urgência

O Kremlin reagiu esta sexta-feira a uma iniciativa do parlamento russo para reconhecer duas regiões separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia como estados independentes, alegando que é importante evitar medidas que possam aumentar as tensões.

Segundo avança a Reuters, o parlamento da Rússia realizará audiências na próxima semana com vista a apelar ao presidente Vladimir Putin para que reconheça a autoproclamada República Popular de Donetsk e a República Popular de Luhansk.

Esta reação do Kremlin acontece no dia em que os principais diplomatas dos Estados Unidos e da Rússia se encontram em Genebra, por isso, o porta-voz, Dmitry Peskov, afirma que é importante não tentar marcar pontos políticos numa situação tão frágil.

Peskov adiantou ainda que o Kremlin não esperava que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, entregasse uma resposta por escrito às suas amplas demandas por garantias de segurança do Ocidente na sexta-feira.

O destacamento de tropas russas junto à Ucrânia suscitou preocupação entre os países ocidentais, que temem uma guerra entre os ex-vizinhos soviéticos, cujos laços têm sido tensos desde a anexação da Crimeia por Moscovo e o início de uma insurgência apoiada pela Rússia no leste da Ucrânia, em 2014.

Reconhecer formalmente as duas regiões separatistas no leste da Ucrânia como independentes é visto como um passo que Putin poderá dar, se não conseguir garantir as garantias de segurança que está a pedir ao Ocidente.

O que esperar do encontro entre Estados Unidos e Rússia

Antony Blinken e Sergey Lavrov antes do encontro em Genebra

Esta sexta-feira, os principais diplomatas da Rússia e dos Estados Unidos reúnem-se de urgência, com as crescentes tensões sobre o território ucraniano em cima da mesa. O encontro acontece na sequência de uma série de reuniões entre as autoridades de ambos os lados, na semana passada, que não produziram avanços.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, deslocou-se a Genebra para conversar com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, após uma passagem pela Europa para reforçar os compromissos dos aliados norte-americanos para atingir a Rússia com sanções, se esta prosseguir com uma invasão da Ucrânia.

"Permitir um avanço russo na Ucrânia arrastaria-nos de volta a um tempo muito mais perigoso e instável, quando este continente e esta cidade [Berlim] estavam divididos em dois... com a ameaça de uma guerra a pairar sobre a cabeça de todos", afirmou Blinken, em Berlim.

No lado oposto, a Rússia quer que o Ocidente prometa que a Ucrânia não se juntará à aliança da NATO. O que acontecerá a seguir pode mesmo comprometer toda a estrutura de segurança da Europa.

Já na quinta-feira, Blinken alertou Moscovo sobre as graves consequências se alguma das suas forças cruzar a fronteira. De referir também que a Rússia tem 100.000 soldados na fronteira, mas nega estar a planear uma invasão.

O governo norte-americano adiantou que Blinken tentará oferecer a Lavrov uma "rampa diplomática" para aliviar as tensões. Tal acontece depois de Joe Biden, ter afirmado, na quarta-feira, que acredita que a Rússia "vai avançar" na Ucrânia e alertado sobre um "desastre para a Rússia". Contudo, também pareceu sugerir que uma "pequena investida" poderá atrair uma resposta mais fraca dos Estados Unidos e dos seus aliados.

A mensagem provocou uma repreensão do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que escreveu no Twitter: "Não há investidas menores. Assim como não há baixas menores e pouca dor pela perda de entes queridos".

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