Atenção ao pós-debate: Costa pediu maioria, maioria, maioria (e lembrou Marcelo), Rio falou para o centro e para isso usou um nome - Pedro Nuno Santos

14 jan, 01:33

Líderes do PS e do PSD deram breves entrevistas a seguir ao debate mas, apesar da brevidade, deixaram espaço para longas análises políticas

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António Costa aproveitou o pós-debate para reforçar o seu pedido de maioria mas sem usar o "absoluta" que absolutamente quer: disse que o país precisa dessa estabilidade para aprovar o Orçamento, caso contrário corre-se novamente o risco de impasse político - e consequentemente o país ficará, argumenta, novamente paralisado como ficou com a rejeição do Orçamento que provocou as legislativas de 30 de janeiro. A maioria, para Costa, "é ter condições para governar”. E a maioria não é um risco, não é "poder absoluto", porque, disse, um Presidente da República como Marcelo não permite abusos. 

"Felizmente temos um Presidente que tem todo um mandato que vai cobrir a próxima legislatura, é uma pessoa de quem os portugueses gostam. Alguém acredita que com Marcelo como Presidente da República poderíamos ter uma maioria absoluta que pisasse o risco? Não pisava o risco dois dias, era o primeiro e acabava."

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O secretário-geral do PS tem muita fé no Presidente e também muita confiança que os portugueses compreendem o que lhes está a pedir, porque só uma maioria socialista oferece "estabilidade ao país". "Ficou claro que o Partido Socialista tem não só um programa como tem um Orçamento pronto a aplicar e que se traduz em imediatos benefícios para a vida dos portugueses."

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Costa rejeita o renascimento da geringonça e, por isso mesmo, foi questionado pelos jornalistas se é o PAN o novo "parceiro preferencial" - cenário que o próprio secretário-geral do PS abriu durante o debate. Costa fugiu: "Este momento é o momento de concentrar o voto no Partido Socialista". Ainda assim, também nestas declarações aos jornalistas no pós-debate, fez questão de explicar que existe uma diferença entre "dialogar encostado à parede e com uma espada apontada" e "dialogar civilizadamente".

A propósito do pós-30 de janeiro surgiu o "fantasma Pedro Nuno Santos". Foi um cenário levantado por Rui Rio durante o debate mas António Costa não se quis alongar muito sobre o assunto, dizendo apenas que "Pedro Nuno Santos não é um fantasma, é, felizmente, uma pessoa viva, de carne e osso". "É o nosso cabeça de lista em Aveiro e terá seguramente um grande resultado eleitoral."

Costa fez ainda questão de anotar duas "medidas muito perigosas" do programa do PSD: "Esta ideia de que o SNS deixe de ser tendencialmente gratuito e que a classe média passe a pagar o acesso ao SNS", bem como a "tentativa do PSD de controlar politicamente o Conselho Superior do Ministério Público, condicionando a autonomia dos magistrados".

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Rio: "a obrigação" de "colocar "um raciocínio em cima da mesa"

O presidente do PSD não ficou satisfeito com a resposta de António Costa sobre o que faria caso ganhasse sem maioria absoluta. "Não acrescentou muito àquilo que já tinha dito antes, só clarificou que se ganhar as eleições fica tentando fazer um acordo que não se percebe qual é". "Não se entende muito bem como é que pode haver estabilidade com o Partido Socialista." 

Sobre as acusações das "medidas muito perigosas" do programa do PSD, Rui Rio disse que o que Costa fez foi "agitar dois papões", porque aquilo que o secretário-geral do PS constatou "não está escrito em nenhum lado". "Isto é para tentar tirar partido de algum desconhecimento que as pessoas possam ter, tentando acreditar numa coisa absolutamente abstrusa. Não tem cabimento nenhum." 

Relativamente à governabilidade, o líder do PSD voltou a dizer que os seus parceiros preferenciais são o CDS-PP e a Iniciativa Liberal, mas se, juntos, não conseguirem alcançar os 116 deputados, "o PS deve estar disponível para negociar com o PSD a solução de governo", prometendo fazer o mesmo.

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"Se estou a exigir isso dos outros, tenho eu também de fazer a mesma coisa se não ganhar as eleições. (...) Estou disponível para negociar a governabilidade do país, não quero atirar o país para uma ingovernabilidade ou para eleições de seis em seis anos. António Costa não diz isto de forma clara."

Já sobre o "fantasma Pedro Nuno Santos", Rio disse que é a pessoa que "tem mais hipóteses de suceder a António Costa". "É minha obrigação colocar este raciocínio em cima da mesa." Ou seja: é Rio a falar para o centrão - que pode temer o "esquerdismo" associado a Pedro Nuno Santos. E o centrão, já se sabe, decide eleições e escolhe primeiros-ministros.

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