Príncipe Harry: tablóides de Murdoch pagaram "quantia muito elevada" em acordo secreto com William

CNN , Lindsay Isaac
25 abr, 19:11

O escândalo da invasão de linhas telefónicas e de "hacking" rebentou no Reino Unido há mais de uma década. Na altura, repórteres de jornais britânicos foram acusados pagar à polícia e de piratear telefones de celebridades, deputados, membros da realeza, vítimas de homicídio e outras figuras mediáticas. A maioria dos casos envolve o jornal News of the World, da News Corp, mas o Sun e publicações do Mirror Group também acabaram por chegar a acordo. Novas informações revelam agora que o grupo fechou um acordo secreto com o princípe William.

O Palácio de Buckingham e o News Group Newspapers (NGN), detido por Rupert Murdoch, chegaram a um acordo secreto sobre as históricas queixas de invasão de linhas telefónicas, alegam documentos judiciais apresentados em nome do príncipe Harry.

Os documentos, que afirmam que o NGN chegou a um acordo não revelado com o príncipe William, fazem parte do processo do duque de Sussex contra o grupo de média, por alegada recolha ilegal de informação.

Julho de 2011: Rupert Murdoch e Rebekah Brooks, proprietário e editora, no dia da última edição do tablóide "News of the World". (Foto de arquivo)

O processo inclui alegações de que a NGN interceptou ilegalmente mensagens de correio de voz, obteve informações privadas através de manipulação e utilizou investigadores privados para obter informações ilegalmente.

Não se sabe ao certo como é que o príncipe Harry tem conhecimento do acordo feito com o seu irmão, mas na sua resposta ao tribunal ele escreve que a sua informação se baseia num documento redigido, através do qual deduz que o príncipe William assinou o acordo.

Os funcionários do Palácio de Kensington, que representa o príncipe William, disseram à CNN que não comentam os procedimentos legais. O Palácio de Buckingham reiterou a mesma posição.

O príncipe Harry afirma que a sua falecida avó, a Rainha Isabel II, estava a par das negociações do acordo.

Nos documentos, a equipa jurídica do príncipe Harry afirma que William recebeu uma "quantia muito elevada" do proprietário do The Sun e do News of the World, agora encerrado, para resolver as alegações de que estes teriam pirateado o telefone do príncipe real.

Não foram dadas outras informações sobre o alegado acordo. A NGN disse não fazer comentários sobre a sugestão de que fez um acordo confidencial com o príncipe William. A empresa também alega que o príncipe Harry deveria ter apresentado a sua acção judicial mais cedo.

Sobre uma alegação separada do príncipe Harry de que houve um "acordo secreto" com o Palácio de Buckingham, pelo qual a NGN terá renunciado ao seu direito de apresentar uma defesa de limitação em resposta a quaisquer reclamações da Família Real, o grupo de media disse que "não houve tal acordo secreto".

Em 2007, a editora do News of the World e um investigador privado foram condenados por conspiração para piratear mensagens de voz da realeza britânica. O escândalo voltou à ribalta em 2010 e 2011, com alegações de que a pirataria telefónica era uma prática comum no tablóide de domingo, e que a polícia britânica tinha sido cúmplice.

No âmbito desta longa controvérsia, vários jornalistas britânicos foram acusados de piratear ilegalmente mensagens de voz de milhares de pessoas, desde políticos de topo e celebridades a vítimas de homicídio e famílias de soldados mortos em combate.

O escândalo da pirataria telefónica custou ao império mediático de Murdoch mais de mil milhões de libras (1,24 mil milhões de dólares), de acordo com uma investigação de 2021 da Press Gazette, uma publicação do sector.

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