"Primeiro, quero pedir desculpas", diz Boris Johnson, mas sem falar em demissão

Agência Lusa , DCT
31 jan, 18:53

O primeiro-ministro britânico disse ainda que percebe o problema em causa e que quer "corrigi-lo"

O Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recusou esta segunda-feira demitir-se devido à sua participação em ajuntamentos, incluindo celebrações, que alegadamente violaram as restrições durante a pandemia de covid-19, prometendo “corrigir” os problemas. 

"Primeiro, quero pedir desculpas. Lamento muito pelas coisas que simplesmente não fizemos bem e lamento muito pela forma como este assunto foi tratado”, disse numa declaração no Parlamento. 

Porém, reconheceu, “não basta pedir desculpas". "Este é um momento em que devemos olhar-nos no espelho e aprender". "Eu percebo [o problema] e vou corrigi-lo”, prometeu, mas sem falar em demissão.

Na resposta, o líder do Partido Trabalhista, a principal força da oposição, Keir Starmer, reiterou o pedido para Johnson demitir-se, tal como fizeram líderes de outros partidos da oposição. 

Há evidências de violações graves e flagrantes do confinamento (…) Não há dúvida de que o primeiro-ministro está agora sujeito a uma investigação criminal”, vincou Starmer.

Esta segunda-feira foi publicado um relatório interno do Governo sobre o chamado 'partygate' sobre 16 “ajuntamentos” de assessores e membros do Executivo, nomeadamente festas de despedida de funcionários ou de celebração do Natal, dos quais apenas quatro não estão a ser investigados agora pela polícia.  

Entre os eventos sob investigação da polícia estão um nos alojamentos privados de Boris Johnson a 13 de novembro de 2020, outro quando o assessor Dominic Cummings se demitiu, uma festa de aniversário de Boris Johnson em junho de 2020 e outros dois ajuntamentos na véspera do funeral do príncipe Filipe, em abril de 2021.

PM britânico encontra-se hoje com o grupo parlamentar

Boris Johnson tem esta segunda-feira previsto um encontro com o grupo parlamentar, de quem depende o futuro como líder dos ’tories’. 

O chefe do Governo tem estado sob pressão para demitir-se pela oposição e por vários deputados do próprio partido, muitos dos quais disseram que iriam esperar pelo relatório para decidir se iriam pedir uma moção de censura interna.  

É necessário que 54 entreguem “cartas de desconfiança” para desencadear uma moção de censura interna. 

O chamado 'partygate' causou uma onda de indignação entre os britânicos, impedidos de se encontrar com amigos e familiares durante meses em 2020 e 2021 para conter a propagação da covid-19. Dezenas de milhares de pessoas foram multadas pela polícia por desrespeitarem as regras.  

 

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