Liz Truss reivindica ser “uma lutadora” para recusar demissão

Agência Lusa , DCT
19 out, 13:43
Liz Truss (AP Photo)

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, disse que Truss “não devia ter conduzido uma experiência económica” no país e que o resultado é que "milhões de pessoas” vão ser afetadas com o aumento dos juros do crédito à habitação

A primeira-ministra britânica, Liz Truss, afirmou esta quarta-feira ser “uma lutadora e não uma desistente” em resposta à pressão da oposição para se demitir após a crise financeira que levou à reversão dos cortes fiscais prometidos. 

"Eu sou uma lutadora e não uma desistente. Agi no interesse nacional para garantir a estabilidade económica” afirmou, no debate semanal na Câmara dos Comuns, enquanto alguns deputados gritavam “demita-se". 

Este foi o primeiro debate parlamentar semanal com Truss desde que o recém-nomeado ministro das Finanças Jeremy Hunt cancelou os cortes de impostos apresentados pelo Governo há menos de um mês. 

Truss começou por reiterar um pedido de “desculpas” e por reconhecer ter cometido “erros” na estratégia económica.  

“Mas o que é correto nestas circunstâncias é fazer mudanças, o que eu fiz, e continuar com o trabalho e cumprir [os compromissos] junto dos britânicos”, vincou.

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, disse que Truss “não devia ter conduzido uma experiência económica” no país e que o resultado é que "milhões de pessoas” vão ser afetadas com o aumento dos juros do crédito à habitação. 

"Na semana passada, a primeira-ministra prometeu aqui que não iria haver absolutamente qualquer redução de despesas. (…) Esta semana, o ministro das Finanças anunciou uma nova onda de cortes. Para que serve um primeiro-ministro cujas promessas nem sequer duram uma semana?”, ironizou. 

Um pacote de cortes fiscais anunciado a 23 de setembro sem explicação convincente sobre a forma de financiamento causou turbulência nos mercados financeiros, afundando o valor da libra e aumentando os juros das obrigações do Estado britânicas. 

O Banco de Inglaterra foi forçado a intervir para evitar que a crise se propagasse à economia em geral e pusesse em risco fundos das pensões de reforma.

Sob intensa pressão política e económica, a primeira-ministra despediu na semana passada o aliado Kwasi Kwarteng como ministro das Finanças, substituindo-o por Jeremy Hunt, um crítico das políticas de Truss. 

Na segunda-feira, após apenas três dias em funções, Hunt cancelou quase todos os cortes fiscais anunciados, alterou o pacote de garantia dos preços da energia e recuou na promessa de não haver cortes na despesa pública. 

O ministro disse que o Governo terá de poupar milhares de milhões de libras e que terá de tomar "muitas decisões difíceis" no plano fiscal a médio prazo, cuja divulgação está agendada para 31 de outubro.

Há menos de dois meses no cargo, Truss tem atualmente o nível de popularidade mais baixo de qualquer primeiro-ministro, com apenas 10% de opiniões favoráveis entre os britânicos, segundo um estudo da empresa YouGov.  

Na sondagem mais recente sobre as intenções de voto, realizada pela Redfield & Wilton Strategies, o Partido Trabalhista tem 56% das preferências, contra 20% do Partido Conservador.

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