Rapper terá mantido mulher desconhecida em cativeiro na garagem durante anos

CNN , Faith Karimi
12 jan, 11:00
Polícia de Houston (KTRK)

"Viper", que já lançou um conjunto de álbuns e centenas de mixtapes, é considerado um grande nome do cloud rap, um subgénero que apresenta um estilo de produção turvo e batidas relaxadas

Um rapper norte-americano raptou uma mulher grávida e manteve-a em cativeiro na sua garagem durante mais de quatro anos, apesar das repetidas tentativas de fuga da vítima, revelou a polícia de Houston.

Lee Carter, 52 anos, cujo nome artístico é Viper, foi detido na semana passada e acusado de rapto agravado, de acordo com documentos judiciais obtidos pela CNN.

A acusação teve início em abril passado, quando os agentes da polícia de Houston foram a casa de Carter depois de uma mulher ter enviado uma mensagem de texto para o 112 e ter dito que estava a ser mantida em cativeiro contra a sua vontade, segundo a queixa criminal.

Os agentes referem que chegaram à casa, abriram a porta da garagem e descobriram uma sanita improvisada que não tinha autoclismo e um colchão coberto de vómito fresco, juntamente com fraldas, batatas fritas e bolos recheados pré-embalados. A polícia disse ainda que a garagem tinha uma fechadura no interior que necessitava de chave para ser aberta.

Segundo a queixa criminal, a mulher usava roupas sujas, parecia desnutrida, disse à polícia que não tomava banho há dois meses e que sobrevivia à base de batatas fritas e outros snacks. Contou ainda que tinha contactado o 112 através de uma aplicação de mensagens de texto no portátil de Carter.

De acordo com a vítima, tudo começou quando Carter a viu a pedir esmola há cerca de quatro ou cinco anos, em Houston, quando estava grávida. Contou ainda que ele lhe ofereceu um dólar e perguntou se ela precisava de ajuda. Depois de ela ter dito que sim, Carter levou-a para casa dele e alegadamente trancou-a na garagem.

Carter, 52 anos, é um rapper cujo nome artístico é Viper. Afirma estar inocente da acusação de rapto. (Foto: Departamento de Polícia de Houston)

A vítima disse à polícia que, desde então, sofreu anos de abusos por parte de Carter, incluindo o facto de ele a obrigar a consumir drogas ilegais e a ter relações sexuais com ele, segundo a queixa.

Mas o advogado de Carter, George Powell, disse à CNN que o casal mantinha uma relação consensual e que têm um filho de três anos. Afirmou ainda que Carter vai declarar-se inocente na próxima audiência em fevereiro.

Carter e outras testemunhas que conhecem o casal "terão amplas provas para demonstrar que (...) eles mantêm um relacionamento há anos", garantiu Powell.

Carter tem proclamado a sua inocência nas redes sociais

O rapper, que já lançou um conjunto de álbuns e centenas de mixtapes, é considerado um grande nome do cloud rap, um subgénero que apresenta um estilo de produção turvo e batidas relaxadas. A sua canção mais popular, "You'll Cowards Don't Even Smoke Crack", tem 1,6 milhões de streams no Spotify.

Carter foi libertado na segunda-feira com uma fiança de 100.000 dólares e declarou a sua inocência nas redes sociais.

"Estou inocente!!! Estou fora da cadeia!!! Eu não fiz qualquer das alegações e serei totalmente ilibado", publicou em letras maiúsculas na terça-feira no X, a plataforma anteriormente conhecida como Twitter.

Jodi Silva, porta-voz do Departamento de Polícia de Houston, disse à CNN que a polícia levou quase nove meses para prender Carter porque este não estava em casa quando a mulher os contactou em abril. Na altura, os investigadores apresentaram um mandado de captura, mas demorou algum tempo a localizá-lo, explicou.

Não ficou imediatamente claro o que aconteceu com a alegada gravidez da mulher na altura em que conheceu Carter. Powell disse que não tem qualquer informação sobre a gravidez.

Silva admitiu que a informação sobre a gravidez é "desconhecida" neste momento, uma vez que os investigadores estão a trabalhar para reunir pormenores.

Lee Carter é visto durante uma audiência em tribunal. Foi acusado de rapto agravado e vai declarar-se inocente, segundo o advogado (Tribunais do condado de Harris)

Segundo Silva, antes de abril passado, a mulher tinha enviado várias mensagens de texto para o 112 e fora levada para o hospital, mas nunca tinha denunciado o rapto ou os abusos. Nessas ocasiões, teve alta e foi entregue aos cuidados de Carter após receber tratamento hospitalar.

"Recebíamos informações sobre ela e certificávamo-nos de que era transportada para o hospital. Os paramédicos transferiam-na para o hospital, mas depois parece que ela voltava diretamente para ele", observou Silva.

A polícia de Houston está em contacto com a mulher e esta vive atualmente num apartamento fora da cidade.

Vítima diz que implorou a Carter que a deixasse ir embora

A vítima disse à polícia que passava a maior parte do tempo na garagem. Como não havia chuveiro, a mulher contou que Carter às vezes a levava para dentro de casa para se limpar. Segundo a queixa, a mulher disse à polícia que tentava fugir nessas alturas, mas Carter agarrava-a e voltava a fechá-la na garagem.

À polícia disse ainda que implorou a Carter que a deixasse ir, mas que este a ameaçou com violência.

Numa ocasião, disse, partiu uma janela da garagem enquanto as autoridades estavam na casa e rastejou para fora para chamar a sua atenção. De acordo com a queixa criminal, foi levada para o hospital e entregue a Carter após a alta.

Após esse incidente, Carter terá fechado as janelas com tábuas e terá dito a um vizinho que o fizera para impedir a fuga da vítima, segundo a queixa.

*Max Saltman contribuiu para este artigo

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