Como vai o caixão da rainha para Londres? Como será o funeral? E onde será sepultada? Estas e outras respostas sobre o que vai acontecer nos próximos dias

CNN , David Wilkinson e Lauren Said-Moorhouse
11 set, 16:17
Rainha Isabel II (Getty Images/Chris Jackson)

Ao amanhecer de uma nova era na Grã-Bretanha, estão em curso os preparativos para um último adeus à rainha Isabel II.

Após um reinado da maior longevidade de sempre, a monarca faleceu na sua residência em Balmoral, na Escócia, na quinta-feira. O seu filho, o rei Carlos III, fez um pedido para que fosse decretado um período de luto oficial pela Rainha prolongado, desde sexta-feira, 9 de setembro, até sete dias após o funeral da Rainha, de acordo com uma declaração do Palácio de Buckingham.

O funeral acontece no dia 19 de setembro, às 11:00, na Abadia de Westminster.

Como irá o caixão da rainha regressar a Londres?

O caixão deixou Balmoral, o retiro rural escocês da Rainha, este domingo para o Palácio de Holyroodhouse em Edimburgo. A propriedade é a residência oficial do monarca britânico na Escócia.

Depois, viajará provavelmente em procissão para a Catedral de St Giles de Edimburgo, onde a rainha descansará antes de ser transferida para Londres, na terça-feira. A princesa Anne vai acompanhar o caixão da mãe da Catedral de St. Giles até ao aeroporto de Edimburgo, seguindo para Londres num avião da Força Aérea britânica. O voo deverá aterrar em Londres pouco antes das 19:00. A partir daí, segue para o Palácio de Buckingham, a residência oficial da monarca em Londres desde 1837.

Como pode o público prestar a sua homenagem?

O precedente histórico sugere que uma vez em Londres, o velório da rainha vai ter lugar em Westminster Hall, a parte mais antiga do Palácio de Westminster.

Os caixões dos anteriores monarcas foram colocados numa plataforma elevada - ou catafalco - no meio do salão, guardados durante as 24 horas de cada dia por membros do Corpo de Guarda do Soberano, Corpo de Guarda de Infantaria ou Regimento de Guarda Real de Cavalaria.

As placas de latão no salão do século XI marcam o local onde Eduardo VII foi velado em 1910, Jorge V em 1936, Jorge VI em 1952 e a Rainha Maria um ano mais tarde. O salão, que tem mais de 1.000 anos, é também o local onde foi velado o Primeiro-Ministro em tempo de guerra, Winston Churchill, em 1965. 

A Rainha-Mãe foi o mais recente membro da família real cujo velório, em 2002, ocorreu naquela sala (e apenas a segunda consorte real a receber a honra). Nessa ocasião, os seus netos -- Príncipe Carlos, Príncipe André, Príncipe Eduardo e Visconde Linley -- participaram na guarda, do velório, no que é oficiosamente designado como “A Vigília dos Príncipes”.

Os filhos do Rei Jorge V também estiveram de guarda ao seu velório. O palácio tem ainda de confirmar quem poderá participar na guarda da vigília da Rainha.

O corpo da rainha estará em câmara ardente durante quatro dias em Westminster Hall, até à manhã do funeral, para que os populares possam prestar a sua homenagem. Esperam-se meio milhão de pessoas.

Como será o funeral da rainha?

Como monarca, a rainha Isabel II terá honras fúnebres estatais dispensadas por financiamento público. O funeral terá lugar na Abadia de Westminster no dia 19 de setembro, às 11:00.

A abadia foi fundada em 960 d.C. por monges beneditinos, e é um dos monumentos mais famosos de Londres. Tem sido frequentemente o cenário de momentos marcantes reais como coroações, casamentos e funerais ao longo dos anos.

Ainda faltam alguns dias para a divulgação da lista de convidados, mas os chefes de estado e dignitários de todo o mundo dirigir-se-ão provavelmente à capital britânica para celebrar a vida da Rainha e os 70 anos de serviço dedicado à nação. Outros rostos familiares serão alguns dos 15 antigos primeiros-ministros e legisladores seniores da Rainha.

Aos membros da família real britânica que detêm alta patente militar, à consorte do soberano, e ao herdeiro ao trono, são normalmente concedidas honras fúnebres em cerimoniais reais (em vez de estatais), como foi o caso do funeral do príncipe Phillip em abril de 2021.

De acordo com uma nota informativa da Câmara dos Comuns de 2013, as principais diferenças entre funerais estatais e cerimoniais são que um funeral estatal requer a aprovação do parlamento e que a carruagem que transporta o caixão é transportada por membros da Marinha Real, em vez de cavalos.

A tradição iniciou-se no funeral estatal da Rainha Vitória, em janeiro de 1901. De acordo com o site oficial da família real: “Os cavalos que deveriam puxar o carro de armas ficaram agitados devido ao frio e estavam a comportar-se de forma perigosa, por isso ... uma equipa de membros da Marinha Real assumiu a tarefa de transportar a carruagem para a Capela de S. Jorge.”

A um grupo reduzido de não-soberanos foi concedida a honra de um funeral de Estado, incluindo Isaac Newton, Horatio Nelson, o primeiro Duque de Wellington e, claro, Churchill.

Após a morte de Churchill em 1965, foi a rainha Isabel II que apresentou uma nota ao Parlamento, afirmando que o líder da guerra tinha “servido infalivelmente o seu país durante mais de 50 anos e nas horas de maior perigo fora o líder inspirador que os fortalecera e apoiara a todos.”

Onde será sepultada a rainha?

Após o serviço fúnebre da Rainha, o seu caixão fará a sua viagem final para fora de Londres e em direção a Windsor. O seu destino é a já familiar Capela de São Jorge, dentro dos terrenos do Castelo de Windsor.

Foi também aí realizada a cerimónia fúnebre do duque de Edimburgo, bem como as ocasiões mais jubilosas como as núpcias dos netos da Rainha.

Após a missa para o duque de Edimburgo em 2021, o seu caixão foi levado para o Mausoléu Real, situado abaixo da capela, onde muitos membros da família real estão sepultados. No entanto, com a morte da Rainha, espera-se que ele seja realojado e o casal reunido para repousarem juntos na capela memorial do Rei Jorge VI, noutro local no interior da Capela de São Jorge.

Europa

Mais Europa

Patrocinados