Autor de incêndio em estúdio de animação no Japão recorre da pena de morte

Agência Lusa , AM
26 jan, 07:48
Incêndio em estúdio de animação em Quioto (Associated Press)

Shinji Aoba queria vingar-se da KyoAni porque estava convencido que a empresa lhe tinha roubado uma ideia para um guião

O responsável por um incêndio que matou 36 pessoas em 2019 num estúdio de animação recorreu da condenação à pena de morte, disse um tribunal de Quioto, no centro do Japão.

O mesmo tribunal tinha na quinta-feira condenado à morte Shinji Aoba por um dos crimes com mais vítimas no arquipélago nas últimas décadas e que desencadeou uma onda de indignação no Japão e no estrangeiro.

Os advogados do homem, de 45 anos, considerado culpado de cinco acusações, incluindo homicídio, tentativa de homicídio e fogo posto, recorreram da sentença, disse um porta-voz do tribunal à agência de notícias France-Presse (AFP).

As vítimas mortais eram na maioria jovens empregados do estúdio, apelidado de KyoAni. Mais de 30 pessoas ficaram feridas.

De acordo com a AFP, Shinji Aoba queria vingar-se da KyoAni porque estava convencido que a empresa lhe tinha roubado uma ideia para um guião. A alegação foi rejeitada pelo estúdio e descrita pelos procuradores como um delírio.

Os advogados de defesa argumentaram que o homem não tinha "a capacidade de distinguir entre o certo e o errado" devido a perturbações psiquiátricas. No entanto, para o Ministério Público, o acusado tinha "premeditado o ato com forte intenção assassina e estava perfeitamente consciente dos perigos envolvidos" ao utilizar gasolina.

À semelhança dos Estados Unidos, o Japão é um dos poucos países democráticos a aplicar a pena de morte, executada por enforcamento.

A opinião pública japonesa continua a ser maioritariamente a favor da pena capital, apesar das críticas da comunidade internacional.

A última execução no país, onde mais de 100 condenados se encontram no corredor da morte, data de 2022.

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