Os salários aumentam pouco. Os preços sobem muito. Seis dicas para ajudar a lidar com a subida do custo de vida

20 nov, 12:00
Dinheiro (Getty Images)

Desde comparar preços entre serviços e artigos de supermercado, até renegociar contratos e colocar as poupanças a render, existem inúmeras frentes a abordar no momento de poupar dinheiro

O orçamento das famílias portuguesas está cada vez mais pressionado, sendo que se avizinham aumentos adicionais das taxas de juro e a inflação ameaça manter-se numa trajetória de subida.

Em outubro, a taxa de inflação homóloga chegou aos 10,1%, um valor que continua a ser o mais elevado desde maio de 1992 e corresponde a uma aceleração de 0,8 pontos percentuais face ao mês anterior, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

E se a subida de preços parece não parar, do lado das taxas de juro não há melhores notícias. A taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação a particulares estava, em janeiro, nos 0,81% em Portugal. Em setembro, esta taxa fixou-se nos 2,23%, penalizando as prestações mensais de quem tem dívidas à banca.

Com os custos a subir seria preciso um aumento significativo dos salários para que os portugueses pudessem, pelo menos, manter o seu poder de compra. Mas a realidade é, no entanto, outra.

Segundo dados do INE referentes ao terceiro trimestre deste ano, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador até aumentou 4,0% em relação ao mesmo período de 2021, para 1.353 euros. Acontece que, segundo os mesmos dados e levando em conta a taxa de inflação, em termos reais, a remuneração diminuiu 4,7%.

Numa tentativa de ajudar a lidar com a perda de poder de compra, a CNN Portugal reuniu algumas dicas de poupança que permitem a ajudar as finanças pessoais dos portugueses.

1 - Faça um orçamento e defina um objetivo

Um orçamento familiar, apesar do jargão, não é nada mais nada menos que um registo dos rendimentos ganhos contra todas as despesas. Este deve ser o primeiro passo a tomar, defende Sara Antunes, autora do livro "Ganhar, Poupar, Investir" e geralmente, este registo é feito por rubricas.

No caso das remunerações, estas podem ser categorizadas por ganhos com salários, subsídios ou reembolsos do IRS, ao passo que nas despesas podem ser englobados os gastos com a renda, telecomunicações, alimentação, entre outras. Depois de feito o orçamento, é necessário definir o objetivo da poupança. Por exemplo, se pretende criar um fundo de emergência, então será necessário saber qual o seu montante e quanto poderá prescindir por mês até à sua concretização.

No entanto, o valor exato a poupar por mês poderá variar consoante os casos. A regra geral, é prescindir de pelo menos 10% do ordenado assim que o receber, mas este valor poderá não ser exequível para todos, pelo que não existe um mínimo estipulado, o importante é poupar o que seja.

2 – Vá de transportes públicos. Procure a bomba mais barata

No momento de se deslocar do ponto A ao ponto B, a opção mais rentável será utilizar os transportes públicos sempre que possível, dividir transporte com alguém, ou tirar ainda partido das várias aplicações de ridesharing existentes no mercado.

Se tal não for possível, o melhor a fazer é verificar os preços dos combustíveis antes de abastecer. Para isto pode tirar partido de vários portais disponíveis online, como é o caso do Mais Gasolina ou a secção de combustíveis do KuantoKusta. Adicionalmente, pode ainda consultar o portal Preço dos Combustíveis Online, da Direção-Geral de Energia e Geologia para saber na sua área qual o posto com preços mais baixos.

3 - Alimentação: no comparar está o ganho

Em casa há a possibilidade de poupar em várias frentes. No que toca à alimentação, a maior poupança passa por evitar comer fora de casa e preparar as refeições em antemão. Já no supermercado, algo a considerar é a opção pelas chamadas “marcas brancas”, sempre que possível, bem como preparar antecipadamente uma lista de compras.

Além destes “truques”, pode sempre tirar partido das promoções em vigor, bem como comparar os preços dos produtos. Neste sentido, aplicações como o comparador Super Save, disponível para Android e iOS, permitem comparar o preço de milhares de artigos nas cadeias Auchan, Minipreço, Continente, Pingo Doce e Intermarché, bem como acompanhar as respetivas promoções.

4 – Isolar para poupar no aquecimento

Tendo em conta que o inverno se avizinha, também existem formas de mitigar despesas anuais avultadas com o aquecimento. No longo prazo, o mais rentável é isolar a habitação o melhor possível. Quem o garante é a Sto, empresa internacional especializada em sistemas de isolamento térmico, que acrescenta que o isolamento exterior é sempre a melhor opção. Na falta desta opção, pode sempre apostar num isolamento interior.

A empresa especialista garante que os materiais isolantes mais utilizados são lãs minerais, poliestirenos expandidos, isolamento de fibra de madeira ou painéis de resina fenólica, mas isto irá variar em cada caso. A melhor e mais dispendiosa solução é instalar janelas com rutura térmica ou vidros duplos com câmara de ar, garante. No entanto, também devem ser consideradas soluções como vedar com espuma eventuais fugas à volta das janelas ou rodapés, instalar juntas de borracha por trás de fichas e interruptores, ou isolar caixas de persianas.

Adicionalmente, existem ainda planos para subsidiar a totalidade ou parte destas intervenções, nomeadamente, através do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência da Economia Portuguesa, enquadrado nos fundos europeus de ajuda.

5 - Renegociar contratos para poupar

A renegociação de contratos pode abranger qualquer tipo de serviço que tenha subscrito, como o preço da eletricidade ou o pacote de tv, net e voz. Pegando nestes dois exemplos, no caso da eletricidade, por exemplo, é possível verificar na sua fatura quanto pagaria se estivesse no mercado regulado. Por outro lado, também pode fazer uma simulação no site da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) para saber qual a oferta mais competitiva. A mesma comparação pode ser feita para a fatura do gás e também aqui já é possível passar para o mercado regulado onde, na maioria dos casos os preços são mais baixos.

Já no caso do seu pacote de telecomunicações, a melhor altura para renegociar as condições é antes de assinar uma nova fidelização. Para este fim, é essencial procurar a oferta dos restantes operadores e, para isto, pode usar plataformas como a ComparaJá (além de esta plataforma ter ainda outros simuladores disponíveis). Com base na informação recolhida, pode depois negociar melhores condições com o atual operador e só depois aceitar uma nova fidelização.

6 - Rentabilizar poupanças para melhorar rendimentos

No final de setembro, os portugueses tinham 181,3 mil milhões de euros aplicados em depósitos bancários, com uma taxa média de juro de 0,05%, segundo dados do Banco de Portugal. Estas poupanças, tendo em conta a remuneração oferecida pelos bancos, estão a desvalorizar rapidamente face ao aumento do custo de vida.

Embora existam numerosas formas de colocar o dinheiro a render, os depósitos são um dos métodos favoritos dos portugueses dado o seu baixo nível de risco. Contudo, segundo economistas, os Certificados de Aforro são de momento a melhor alternativa possível dentro dos produtos de capital garantido e baixo risco. Em novembro, a taxa de juro bruta para novas subscrições e capitalizações foi fixada próxima dos 2,5%, e mesmo com uma taxa líquida de 1,79% (após descontado o IRS à taxa de 28%), continua a ser uma remuneração que não é oferecida por qualquer depósito no mercado.

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