Covid-19. lixo pandémico pode ter impacto ambiental duradouro, alertam investigadores

Agência Lusa , PF
9 dez 2021, 18:01
Máscaras
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“Apesar de se ter dito a milhões de pessoas para usarem máscaras, poucas orientações foram dadas sobre como as deitar fora ou reciclar de forma segura”

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O número de máscaras respiratórias atiradas para o chão aumentou 9.000% de março a outubro de 2020, concluíram investigadores da universidade britânica de Portsmouth, que alertam que o “lixo pandémico” pode ter um impacto duradouro.

Num estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Nature Sustainability, defendem que os governos que tornam obrigatório o uso de máscaras respiratórias por causa da covid-19 devem adotar políticas e legislação sobre o tratamento a dar-lhes.

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Salientam que as máscaras e outros equipamentos de proteção atirados para o chão podem ser veículos de transmissão do SARS-CoV-2 e que o impacto no meio ambiente também se reflete nos animais, que as podem engolir, bem como em organismos mais pequenos e nas plantas em redor, tapando o acesso ao oxigénio.

Num tempo ainda mais alargado, podem servir como fontes de propagação de outros poluentes e, no caso de serem feitos de plástico, podem tornar-se microplásticos e entrar na cadeia alimentar.

“O estudo demonstra o impacto que a legislação sobre o uso de máscaras pode ter na produção de lixo. Descobrimos que as máscaras deitadas ao chão tiveram um aumento exponencial a partir de março de 2020. É claramente necessário que a obrigatoriedade do uso destes objetos seja acompanhada de campanhas de educação para limitar a sua prevalência no ambiente”, afirmou o investigador principal Keiron Roberts.

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Para as suas conclusões, basearam-se em duas bases de dados: uma sobre a resposta do Governo britânico à pandemia e uma aplicação sobre lixo, segundo as quais foram recolhidos mais de dois milhões de pedaços de lixo que foram relacionados com as políticas públicas em resposta à covid-19, desde os confinamentos aos regulamentos de uso de máscara.

“Estes dados permitiram-nos olhar para as tendências do lixo pandémico mensalmente. Não nos surpreendeu que começassem a aparecer máscaras, o que nos surpreendeu foi que as legislações nacionais influenciassem de forma tão dramática a sua ocorrência”, acrescentou.

Registaram que o maior aumento da ocorrência de máscaras como lixo foi entre junho e outubro, quando, a par da recomendação de uso de máscaras por parte da Organização Mundial da Saúde, muitos governos suspenderam os confinamentos das populações, que puderam deslocar-se com mais liberdade.

O investigador Steve Fletcher salientou que, “apesar de se ter dito a milhões de pessoas para usarem máscaras, poucas orientações foram dadas sobre como as deitar fora ou reciclar de forma segura”.

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“Se não melhorarem as práticas, arrisca-se um desastre ambiental. A maior parte das máscaras é fabricada com materiais plásticos de longa duração e pode persistir no meio ambiente durante dezenas ou centenas de anos”, alertou.

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