Publicidade no Facebook custou mais do que gastos dos partidos num ano com as suas página oficiais

Agência Lusa , MM
8 mar, 13:37
Luís Montenegro

Gastos dos oito partidos com assento parlamentar atingiram, em cinco anos, 44.975€, o que se traduz numa média anual de 8.995€.

A publicidade online proibida, contra o PSD, detetada pela MediaLab do ISCTE no Facebook, pode ter custado 12 mil euros em três dias, mais do que gastaram, em média, os oito partidos parlamentares num ano com as suas páginas oficiais.

As contas dos gastos anuais dos oito partidos com as suas páginas oficiais constam na plataforma de anúncios da Meta e foi obtida pelos investigadores do MediaLab do ISCTE numa pesquisa feita para um projeto conjunto com a agência Lusa para monitorizar e fazer a despistagem de desinformação política na pré-campanha e campanha eleitoral para as eleições de domingo.

Esses gastos atingiram em cinco anos 44.975€, o que se traduz numa média anual de 8.995€.

Já o investimento total na publicidade online, anónima e proibida durante a campanha eleitoral, visando o PSD e Luís Montenegro, “pode rondar os 12 mil euros em apenas três dias de campanha publicitária”, segundo o MediaLab.

“Foi uma campanha grande, muito grande mesmo. Não há nenhum partido político português que tenha gasto tanto dinheiro como foi gasto a fazer aquela campanha”, segundo José Moreno, um dos investigadores.

Quem pagou os anúncios - e não se conseguiu saber quem foi - “gastou em três dias mais do que todas as contas dos partidos juntas num ano” nas suas páginas oficiais, acrescentou.

Essa publicidade ligava o líder do PSD aos cortes durante a troika, tendo alcançado mais de dois milhões de pessoas.

Os referidos anúncios, que são proibidos em campanha eleitoral, estavam “escondidos atrás de uma página de Facebook não identificada”. Desde que foram criados, em 26 de fevereiro, quatro posts publicitários “atingiram entre 11 mil e 500 mil destinatários cada”, sendo que um deles foi “visto por um milhão e 185 mil portugueses entre os 25 e os 65 anos”, segundo informações recolhidas pelo MediaLab.

No total, os “posts patrocinados podem ter chegado a mais de dois milhões de portugueses, cerca de 22% da população com capacidade eleitoral”, diz o relatório do MediaLab.

As publicações estavam associadas a uma página do Facebook, chamada “Noticias Internacionais” e que remetia para uma site que não existe – noticias internacionais Globo – tentando estabelecer “alguma confusão” com o canal de televisão brasileiro.

Na publicação com mais alcance, que chegou a 1,1 milhões de pessoas, pode ler-se: “Montenegro mente sobre cortes de pensões e internet reage, líder da AD diz que partido não cortou benefício de pensionistas quando governou”.

Outro post, com um alcance superior a 477 mil utilizadores, mostra uma foto de Montenegro e Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro de um Governo PSD/CDS (2011-2015), com o título: “Luís Montenegro, Passos Coelho e os sucessivos cortes aos pensionistas”.

Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar no domingo para eleger 230 deputados à Assembleia da República.

A estas eleições concorrem 18 forças políticas, 15 partidos e três coligações.

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