Sub-20: Portugal-Itália, 1-2 (crónica)

David Marques , Estádio Municipal José Martins Vieira, Almada
23 set, 18:19

O desconforto das alturas

A seleção portuguesa sub-20 perdeu com Itália por 2-1, num particular realizado no Estádio Municipal José Martins Vieira, em Almada.

Na estreia de Bino, a equipa das quinas discutiu taco a taco o jogo diante de uma das seleções europeias que estarão presentes no próximo Mundial sub-20 (onde Portugal não estará), mas acabou derrotada sobretudo pela falta de capacidade para se discutir o jogo nas alturas, já que pelo chão nada fica a dever.

Depois de uns primeiros minutos tremidos, com o médio do Benfica Cher Ndour a ficar perto do 1-0 para os italianos, Portugal estabilizou e a qualidade técnica dos jogadores começou a vir ao de cima. Nas alas, Rodrigo Gomes e Joelson Fernandes tiveram bons apontamentos e no centro Matchoi Djaló ia acelerando o jogo com boas aberturas para o último terço.

Só que aos 18 minutos, quando o jogo parecia relativamente controlado por Portugal, a Itália adiantou-se no marcador. Cesare Casadei, avançado pertencente aos quadros do Chelsea, apareceu no coração da área para cabecear para o 0-1.

O golo tirou Portugal dos eixos durante alguns minutos e o quarto de hora seguinte foi da congénere transalpina. Só aos 34 minutos, por exemplo, Portugal criou perigo, através de um cabeceamento de Renato Veiga, que fez a bola passar ligeiramente ao lado do poste esquerdo.

Bino nem precisou de fazer alterações logo ao intervalo para que a Seleção voltasse diferente dos balneários. Sobretudo mais concentrada e ativa no meio-campo ofensivo.

Renato Veiga, que fez uma exibição sólida a meio-campo, teve um remate intercetado e pouco depois, aos 55m, Luís Semedo complicou quando um toque bastaria para fazer o 1-1 numa recarga a remate de Matchoi Djaló.

A Portugal faltava alguma capacidade de criação para superar o bloco defensivo contrário, eficácia quando o fez e consistência exibicional estendida no tempo, mas sobretudo o que faria a diferença foi o jogo aéreo.

Tal como o 0-1, o 0-2 também surgiu das alturas. Aos 65 minutos, também sem grande oposição, Volpato – acabado de entrar - fez de cabeça o 2-0 após uma bola parada.

A primeira leva de substituições de Portugal, pouco depois, trouxe a jogo o inconformado e agitador Martim Tavares, que arrancou uma grande penalidade que Renato Veiga converteu com qualidade ao minuto 78.

A seleção italiana ficou reduzida a dez aos 81 minutos, por expulsão de Gabriele Mulazzi (lançado para os segundos 45 minutos). A partir desse momento, Portugal instalou-se definitivamente no meio-campo ofensivo, com dois jogadores em destaque: Martim Tavares na frente e, à direita do ataque, o recém-entrado Diogo Cabral.

Nesse período, a Seleção Nacional esteve perto de chegar ao empate, mas a tal «muita sede ao pote» criou desequilíbrios defensivos que podiam ter sido fatais em pelo menos duas transições italianas.

Pelo chão, Portugal venceria estes italianos aos pontos. Pelo ar, perde por K.O.

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