Começou "a guerra mundial do pão", afirma ministro italiano

Agência Lusa , AG
4 jun, 18:48
Populares juntam-se para receberem pão em Donetsk (Alexander Zemlianichenko/AP)

Itália pede um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia o mais rápido possível

Já começou "a guerra mundial do pão. Quem o diz é o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Luigi di Maio, que aponta o bloqueio de cereais na Ucrânia e o consequente "risco de novos conflitos em África" como o primeiro passo para um conflito maior.

"A guerra mundial do pão já está em marcha e temos de a parar. Arriscamo-nos a ter instabilidade política em África, a haver proliferação de organizações terroristas, a ter golpes de estado. É isto que pode produzir a crise dos cereais que estamos a viver", afirmou.

A Ucrânia, país em guerra desde 24 de fevereiro, quando foi atacado militarmente pela Rússia, é um dos maiores produtores mundiais de cereais e fertilizantes agrícolas, que exportava para todo o planeta, sendo estas produções fundamentais para a segurança alimentar em regiões como o Médio Oriente e o Norte de África.

O bloqueio dos produtos ucranianos por causa da guerra está a dificultar ou mesmo a impedir o acesso aos cereais por parte de países vulneráveis.

O ministro italiano disse que tem de haver "um acordo de paz o mais depressa possível, que abranja os cereais".

"Há 300 milhões de toneladas de cereais bloqueadas nos portos ucranianos pelos barcos de guerra russos", disse Luigi di Maio.

"Estamos a trabalhar para que a Rússia desbloqueie a exportação de trigo desde os portos ucranianos porque corremos o risco, neste momento, de estalarem guerras novas em África", acrescentou.

O chefe da diplomacia italiana lembrou que haverá uma "primeira sessão de diálogo" com os países do Mediterrâneo sobre a segurança alimentar", no dia 08 deste mês, e que Itália vai trabalhar junto de países como a Alemanha, Turquia, França e "muitos outros" para alcançar o objetivo de desbloquear o trigo que está na Ucrânia.

Itália ofereceu-se há alguns dias para desminar os portos ucranianos e criar "corredores marítimos" para o transporte de trigo.

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, falou por telefone com o Presidente russo, Vadimir Putin, para lhe pedir o desbloqueio da exportação de cereais a partir da Ucrânia, incluindo dos portos do Mar de Azov, como Mariupol, ocupados pela Rússia.

Putin respondeu que haverá exportação de cereais se o Ocidente levantar as sanções que impôs à Rússia pelo ataque à Ucrânia.

A agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já alertou para as consequências desta guerra na segurança alimentar em todo o mundo, já que tanto a Rússia como a Ucrânia são dos maiores produtores de cereais do planeta.

Itália, com a colaboração da FAO, que tem sede em Roma, está a organizar um encontro ministerial dos países do Mediterrâneo, no próximo dia 08 de junho, para fazer um diagnóstico da situação e tentar definir medidas que responsam às consequências da guerra na Ucrânia a nível da alimentação, sobretudo, na região do Mediterrâneo e em África.

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