Covid. Melhor ou pior? Temos o quádruplo das infeções e um quinto dos óbitos (análise)

29 dez 2021, 18:30
Passageiros chegam ao aeroporto de Lisboa (Manuel de Almeida/Lusa)
Passageiros chegam ao aeroporto de Lisboa (Manuel de Almeida/Lusa)

Infeções dispararam na última semana para quatro vezes mais do que na mesma semana de 2020. Mas óbitos e internamentos são muito menos. Veja a análise para confirmar quão menos grave está a pandemia

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Portugal está neste momento com quatro vezes mais infeções registadas do que há um ano, ao que não será estranho o facto de estarem também a realizar-se quase sete vezes mais testes. Mas os óbitos e os internamentos (incluindo em UCI) estão muito abaixo do que então se verificava.

A tabela resume dados da semana de natal atualizados a 29 de dezembro (que se refere aos dados da véspera, dia 28). Ao atingir em dois dias consecutivos os valores mais altos de sempre em casos positivos detetados de covid-19, Portugal tem uma média de 12.516 infeções diárias nos últimos sete dias. Este valor é mais do quádruplo da média diária de 3.049 casos nos mesmos dias em 2020.

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Contudo, o número de óbitos corresponde a um quinto dos valores de então: 14 óbitos em média nos últimos sete dias, contra 70 óbitos em média um ano antes. A redução é quase tão grande nos internamentos, incluindo em unidades de Cuidados Intensivos (UCI): cerca de 70% menos do que há um ano.

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar esta análise diária desde que esta terça-feira os números de infeções dispararam: fá-lo para medir não apenas valores absolutos mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado. Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade.

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Contas feitas, e como resume a tabela, percebe-se que estão a ser detetados muitos mais casos também porque há muito mais testes este ano: uma média diária na última semana de quase 217 mil testes, mais quase sete vezes do que os 32 mil na mesma semana de 2020. Comparando a relação entre casos reportados e o número de testes (rácio aproximado mas não é idêntico à taxa de positividade, até porque há casos positivos relativos a testes realizados anteriormente), verifica-se que este ano há 5,8 infeções por cada 100 testes realizados, quando há um ano o mesmo indicador era de 9,4. Pior há um ano, portanto.

A menor gravidade da pandemia está também patente nos rácios entre o número de óbitos, de internamentos e de UCI face ao número de casos positivos. Em média nos últimos sete dias, há uma proporção de 0,11% de óbitos face ao número de infeções reportado (2,28% há um ano), 7,2% de internados (95% há um ano) e 1,2% em UCI (16,5% há um ano).

Estes indicadores mostram todos que a pandemia é menos grave agora, nesta semana do Natal, do que era há um ano. Para isto contribuirá a vacinação e possivelmente a menor virulência da variante Ómicron (o que ainda não está cientificamente demonstrado).

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Em face disto, vários especialistas têm referido que poderemos vir a mudar a estratégia na pandemia, aprendendo a “viver com ela” em vez de tentar erradicá-la. Em países como os Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, já estão a ser reduzidos os períodos de quarentena para casos positivos, possibilidade também em aberto em Portugal. Não há ainda consenso sobre esse tipo de medidas. Os matemáticos preveem que o número de contágios continue a subir ao longo das próximas semanas.

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