Morrer com covid: dados da Suíça mostram que risco dos não vacinados chega a ser 20 vezes superior

15 jan, 08:00
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Especialistas garantem que estes números sobre os óbitos em pessoas vacinadas e não vacinadas, divulgados pelas autoridades suíças, são a prova de que as vacinas são eficazes a evitar fatalidades com a nova variante. A dimensão de infectados com a Ómicron fez até sobressair a diferença entre o impacto nos dois grupos

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Dados agora divulgados pelas autoridades suíças acabam de comprovar o que a comunidade médica e científica já suspeitavam: é entre os não vacinados que ocorrem a maioria das mortes de quem é infetado pela Ómicron. Segundo dados de dezembro, altura em que, na Europa, a Ómicron se tornou prevalente, na Suíça a diferença de risco de morte entre vacinados e não vacinados chegou a ser de 20 vezes. Foi o que aconteceu na semana que terminou a 18 de dezembro, com o valor a manter-se nas duas semanas seguintes (que apresentam os dados mais recentes).

Um valor muito elevado que se deve também ao facto de existir uma percentagem (cerca de 8%) de idosos com mais de 70 anos que, neste país, não está vacinada.

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Perante estes dados, o pneumologista Filipe Froes é claro: “Torna-se difícil não compreender a vantagem da vacinação e tentar compreender os motivos que levam as pessoas à não vacinação”.

De acordo com os especialistas, esta análise feita pelos suíços às mortes por covid-19 nos vacinados e não vacinados permite concluir que, mesmo com a nova variante, a vacinação continua a dar proteção, impedindo que os casos tenham desfechos mais graves. Aliás, o fato de a Ómicron infetar em grandes dimensões acabou por fazer sobressair a diferença que há entre os os dois grupos quanto ao desfecho de casos graves.“São dados muito reveladores, de fontes sólidas, que mostram de forma inequívoca a proteção conferida pela vacina” não só nas anteriores mas nesta variante, diz Henrique Lopes, investigador de Saúde Pública e membro da task force da covid-19 da Associação das Escolas de Saúde Pública Europeia.

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Filipe Froes concorda, e afirma que estes são dados que, mais uma vez, confirmam a importância da vacinação.

Os dados suiços avaliam as mortes semanais ao longo de todo o ano de 2021, diferenciando os que estavam ou não vacinados.  

A diferença nos óbitos entre os dois grupos foi aumentando à medida que as pessoas eram vacinadas, tendo-se acentuado com esta nova variante, em novembro. 

Segundo o website OurWorldinData, a 6 de novembro morriam 2,59 pessoas não vacinadas por 100 mil habitantes na Suíça. O mesmo número era de apenas 0,22 pessoas por 100 mil habitantes para os totalmente vacinados, um número cerca de 11 vezes menor.

A tendência intensificou-se no mês seguinte, atingindo um pico a 18 de dezembro, quando morriam 16,14 pessoas não vacinadas por 100 mil habitantes, enquanto as vacinadas eram 0,78 por 100 mil habitantes. Trata-se de um número 20 vezes inferior, ou seja, a probabilidade de um não vacinado morrer, relativamente à de um vacinado, era 20 vezes maior. Esse mesmo número mantém-se para as semanas terminadas a 25 de dezembro e 1 de janeiro, que são as mais recentes naquele website estatístico.

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Se recuarmos a janeiro de 2021, por exemplo, e mesmo quando ainda existiam muito poucas vacinas administradas, a situação já apontava para este caminho: a 30 de janeiro morriam 0,75 pessoas não vacinadas por 100 mil habitantes na Suíça, valor que era de 0 nos vacinados.

Mortes por estado vacinal na Suíça

Ainda no gráfico, duas grandes conclusões: houve dois picos na diferença entre mortes de não vacinados e vacinados, a primeira com a aceleração da dose de reforço, que coincidiu com a altura do regresso às aulas, entre o fim de agosto e o início de setembro, e a segunda, que coincidiu com o aparecimento da variante Ómicron.

Segundo o perito Henrique Lopes, esta análise é reveladora do efeito que a vacinação tem. “Muitas vezes é feita uma leitura errada sobre as vacinas levando a que as pessoas pensem: ‘Então sou vacinado e fui infetado?’. Mas o que é relevante é o resultado final”, explica Henrique Lopes. O médico esclarece que a vacina tem três níveis de proteção e é isso que vai levar a que existam tantas diferenças entre vacinados e não vacinados. O primeiro nível de proteção, diz, é a do contágio, que com esta variante se tornou menor, o segundo a da gravidade da doença, que fez com que menos pessoas sejam internadas com complicações graves, e num terceiro nível em relação aos casos mais críticos, evitou que fossem parar aos Cuidados Intensivos e dentro destes morressem. “Esta análise mostra o efeito global da vacinação”.

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Sobre os idosos, refira-se, há 9,5% das pessoas com mais de 70 anos sem vacinação completa na Suíça, valor que é de 6% nos maiores de 80 anos. Há ainda 15% da população dos 60 aos 69 anos que ainda não foi totalmente inoculada.

Para Filipe Froes, este é mais um indicador que reforça a proteção conferida pela vacinação, referindo que, numa comparação entre faixas etárias, fica ainda mais claro o benefício do processo.

De acordo com os dados publicados na Suíça desde o primeiro dia do ano, e que analisam 162 casos de pessoas que morreram entre os dias 1 e 13 de janeiro, a grande maioria são pessoas que não tinham sido vacinadas com nenhuma dose.

Dessas mortes, 89 foram relativas a pessoas que não tinham recebido qualquer dose das três vacinas aprovadas pelos reguladores suíços (Janssen, Moderna e Pfizer). Os dados apontam para uma percentagem de 54,9% das mortes verificadas em pessoas não vacinadas naquele período. Mas os números não devem ser analisados apenas assim, e importa verificar o número de mortes por 100 mil habitantes nos diferentes estados vacinais, como explicou o pneumologista Filipe Froes, que ajudou a CNN Portugal nesta análise.

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“São dados que documentam, de uma forma reiterada, a importância da vacinação”, afirma.

Filipe Froes lembra que, na análise por 100 mil habitantes os números são ainda mais claros, sendo que grande parte da população não vacinada é de uma faixa etária mais jovem, e, por isso, menos sujeita a infeção grave, o que não impede que a probabilidade de alguém morrer por não ter vacina seja muito maior que a de quem tem vacina.

Os 54,9% de não vacinados devem comparar-se à população total que não tem qualquer vacina na Suíça. Ora, se existem cerca de 8,6 milhões de suíços, isso significa, atendendo aos números das autoridades, que 2,6 milhões de pessoas não estão vacinadas. Portanto, o risco abrange mais de metade dessa população.

Os dados mostram, assim, que as vacinas em vigor na Suíça, e que também estão aprovadas na generalidade dos outros países europeus (que também aprovaram a AstraZeneca, como é o caso de Portugal), continuam a ter eficácia perante a Ómicron, variante surgida na África do Sul que já se sabe ser mais transmissível, e que colocou em causa a eficácia das vacinas.

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Os dados serão ainda mais expressivos em países com maior taxa de vacinação, onde o número de mortes é ainda menor, uma vez que há uma maior fatia da população protegida. De referir que, na Suíça, além da percentagem dos totalmente vacinados, também a fatia da população que só tem uma dose é relativamente baixa, rondando os 69%.

Um cenário que segundo Henrique Lopes, é também visível pelo número de mortes com a Ómicron que estão a ocorrer em países como a Bulgária, que entre os europeus é o que tem menos vacinados ou na Polónia, Ucrânia ou Hungria.

Na Bulgária, que só tem 28,2% da população vacinada, foram registados 535 óbitos no período entre 7 e 13 de janeiro, o que levou o país para uma taxa de letalidade de 1,51%.

Essa taxa é ainda mais alta na Polónia (2,65%), onde no mesmo período morreram 2.272 pessoas.

Em sentido contrário, um país como Portugal apresenta uma taxa de letalidade de 0,06%. Com efeito, tendo mais 33% de população, Portugal apresenta 3,5 vezes menos mortes na semana em questão em relação à Bulgária, sendo que a taxa de letalidade está 25 vezes abaixo da verificada naquele país.

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