Costa sentiu uma "dor" a 7/11/23, diz que "nunca" será PR e defende o "professor Vítor Escária" (apesar da "quebra de confiança" com os 75.800€)

3 mai, 12:45

 

 

 

 

Quanto à Operação Influencer, o ex-primeiro-ministro diz que tem a certeza sobre como vai acabar: "Não sei quantos episódios vai ter esta série ou quantas temporadas vai ter mas eu sei o fim". António Costa concedeu esta sexta-feira uma entrevista a Cristina Ferreira no programa "Dois às Dez", da TVI

"Nunca ninguém tinha posto em causa a minha honestidade", diz António Costa. "Isso dói" porque as suspeitas sobre a sua honestidade colocaram "em causa a sua autoridade" como primeiro-ministro. Foi por isso, diz, que se demitiu a 7 de novembro. 

"A autoridade do primeiro-ministro não resulta só das competências que a Constituição e a lei lhe atribuem, mas do respeito e da relação que tem com os portugueses, com os cidadãos. Quando eu vi aquela suspeição oficial, para mim foi muito claro e, portanto, dentro do comunicado e a minha comunicação, correu muito pouco tempo, do tempo de eu falar com o Presidente da República, de informar o Presidente da República, de ouvir o Presidente da República, de explicar ao Presidente da República. E de anunciar ao país. Isso para mim era muito claro e acho que era a única coisa que, do ponto de vista da proteção da função do primeiro-ministro e do ponto de vista daquilo que é, para mim, um imperativo ético no exercício da causa de forças - não havia outra solução."

Questionado sobre porque é que se demitiu tão rapidamente, Costa diz que o fez porque "a entidade máxima do Ministério Público" mostrou que havia "suspeição" sobre o primeiro-ministro e que, por isso, "obviamente é legítimo que o país passe a ter dúvidas".

"Essa dúvida o país não pode ter sobre o primeiro-ministro. Obviamente vivemos numa democracia, portanto o país pode discordar do que o primeiro-ministro faz. Pode achar que o primeiro-ministro é competente ou incompetente, antipático ou simpático, está a fazer o que está certo ou a fazer o que está errado. Não pode é ter dúvidas sobre a honestidade de quem exerce essa função. Porque isso mina a autoridade."

Confessando que a questão de estarem outras pessoas da sua confiança sob suspeita, diz que isso não tornou a decisão mais premente. "Quando o comunicado saiu, a questão já não era a das outras pessoas" mas sim se a sua "manutenção em funções prejudicaria ou não prejudicaria o andamento do processo". "Foi a primeira questão que eu coloquei ao Presidente da República. Quando o comunicado saiu, a questão já não era a das outras pessoas, era a de mim próprio. Portanto, quanto a isso, não havia mais nada a fazer a não ser aquilo que fiz, pelo menos na visão que eu tenho da função do que é ser primeiro-ministro."

Costa garante que tem a "consciência muito tranquila". "Eu sei o que é que fiz, o que é que não fiz, portanto, eu conheço o último episódio desta série, não sei quantos episódios vai ter esta série ou quantas temporadas. Eu sei o fim, portanto, estou de consciência totalmente tranquila", afirma, acrescentando que se dedicou "de alma e coração a servir Portugal e a servir os portugueses".

Em defesa "do professor Vítor Escária"

O antigo primeiro-ministro defendeu ainda Vítor Escária (que tinha 75.800€ em dinheiro vivo escondidos na residência oficial do primeiro-ministro e que foi exonerado por isso mesmo), afirmando estar convicto de que "o professor Vítor Escária não fez nada de incorreto" no que diz respeito à Operação Influencer.

"Mas não conheço o processo e, portanto, não posso asseverar. Mas é a convicção que tenho. Quanto ao resto, bom, disse de facto, disse o que tinha a dizer na comunicação que fiz no sábado seguinte, quando tomei conhecimento [do dinheiro]. Eu não sabia da existência desse dinheiro, o dinheiro não tinha sido encontrado no dia 7 de novembro. Mas isso, pronto, obviamente foi uma quebra grave de confiança relativamente ao meu chefe de gabinete."

António Costa exonerou Vítor Escária a 9 de novembro.

Presidente da República? "Nunca"

Durante a entrevista, António Costa decidiu acabar com um tabu presidencial. Vai ou não candidatar-se a Belém: "Não, isso eu já disse sempre, há muitos anos que eu digo que isso é um cargo que eu nunca exercerei na vida, nunca me candidatarei na vida, podem estar todos descansados, nunca", garantiu.

O anterior primeiro-ministro considerou ainda que as legislativas de março ocorreram no "pior momento" para o PS e que será "muito difícil" assumir um cargo europeu enquanto houver um "processo pendente". Costa é um dos nomes falados para assumir a presidência do Conselho Europeu.

"As eleições ocorreram no pior momento possível para quem estava a governar", diz o ex-chefe do Governo, lembrando que a "inflação estava a começar a ceder", a confiança dos consumidores a melhorar e as taxas de juro a dar sinais de abrandamento.

Segundo António Costa, "era difícil ter um pior contexto económico e social" para realizar eleições e, além disso, com um primeiro-ministro envolvido num processo judicial - tudo junto, diz, "criou um efeito adverso para o partido no governo”.

Sobre o Chega, o ex-chefe de Governo diz que “82% dos eleitores não votaram no Chega” e que “um dos problemas que existe à escala global é que estes partidos populistas acabam por ter uma hiperatenção”. 

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