Cirúrgica, FFP2, N95: qual é mesmo a máscara mais segura para evitar a Ómicron?

7 jan, 13:08
Lisboa

Comunitária, cirúrgica, FFP2 ou N95? Qual destas a mais segura perante o momento pandémico que se vive no país? Devemos descartar de vez as máscaras cirúrgicas? O presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia explica as diferenças entre as máscaras e lembra qual a regra de ouro nesta pandemia

A regra de ouro (e atenção à certificação)

À CNN Portugal, António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, diz que a regra de ouro é que se use máscara, seja qual for. "Usar sempre máscara e que todas as pessoas à nossa volta estejam a usar máscara." Se "a máscara cirúrgica for usada por todos tem uma proteção à volta dos 90%, o que é uma proteção elevada", lembrando que é importante cumprir as regras do uso, colocando-a corretamente no rosto e trocar de máscara ao fim de quatro horas. Já sobre as máscaras comunitárias, ainda muito usadas na sociedade, António Morais explica que, tal como foi dito na reunião do Infarmed, é importante verificar se são certificadas, pois só assim têm o nível de proteção necessário. "O problema é que há uma variedade de máscaras deste tipo que não estão certificadas e podem não dar a devida proteção, quer a quem a usa quer a quem contacta com essa pessoa. Por isso, é importante que as máscaras sejam avaliadas pelo CITEVE e que tenham as características apropriadas, caso contrário, obviamente, não têm proteção."

 

Devemos abandonar as máscaras cirúrgicas?

 

 

Em declarações à CNN Portugal, o virologista Pedro Simas considera que "as máscaras cirúrgicas são suficientes", até porque "Portugal está na melhor situação possível" graças à taxa de vacinados: "Não penso que as máscaras sejam um problema". Por sua vez, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia diz que não se "devem descartar de vez" as máscaras cirúrgicas, lembrando que o que as máscaras filtram são as partículas e o que as difere é o tamanho das partículas que filtram. António Morais afirma que "o vírus não mudou" e que, por isso, "uma máscara que tinha proteção para as variantes anteriores não deixa de ter para esta". Assim sendo, o uso de máscaras cirúrgicas - aquelas que se vendem habitualmente nos supermercados - filtram as partículas de quem as usa, impedindo que se propaguem, e também protegem dos salpicos. No entanto, estas máscaras só são eficazes se todos as usarem. "As máscaras cirúrgicas impedem a saída das nossas partículas, mas não são eficazes relativamente às partículas que vêm para nós. Aí as FFP2 são mais eficazes. Mas se as máscaras cirúrgicas forem usadas por todos, aí a proteção é acima dos 90%. Portanto, as máscaras cirúrgicas funcionam se todas as pessoas estiverem a usar máscara".

 

O que são máscaras FFP2?

 

 

Quanto ao uso das FFP2, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia diz que este tipo de máscaras "tem aparentemente mais proteção do que as cirúrgicas, mas os estudos sobre o assunto são metodologicamente controversos". "Não temos evidência de que tenham proteção superior. Pela sua natureza - são respiradores - aparentemente existe, mas não tenho nenhum dado que o diga", acrescenta. E que natureza é essa? As máscaras com a certificação FFP, que significa Filtering Face Piece, são denominadas "máscaras autofiltrantes" ou "respiradores". Esta máscara, tal como as máscaras N95, são equipamentos de proteção individual (EPI) que servem de proteção respiratória. O seu objetivo é proteger o utilizador da inalação de gotas, mas também de partículas no ar, que podem conter agentes infecciosos. O uso destas máscaras pode criar um maior desconforto térmico e respiratório porque criam uma barreira mais resistente. Segundo os especialistas, as máscaras FFP2 ou FFP3 oferecem a melhor proteção contra o coronavírus, criando uma barreira com uma eficácia de 94% contra aerossóis. As máscaras devem ter várias camadas de tecido, um suporte de metal que fica ao longo do nariz e dizer na sua embalagem que são do tipo II ou III e classificação CE, sublinha o Instituto Federal de Medicamentos e Dispositivos Médicos da Alemanha.

 

E as máscaras N95?

 

As máscaras de protecção N95, tidas como as mais seguras, permitem a lavagem e, segundo um estudo publicado na revista científica JAMA, mantêm a qualidade e a filtração elevada após a lavagem. A mesma publicação avança que, depois de analisada a utilização destas máscaras em vários hospitais dos EUA, ficou provado a eficácia de mais de 90%, valor superior ao das máscaras cirúrgicas. As N95 têm capacidade de filtrar 95% ou mais de partículas com 0,3 milímetros. E, como relembra António Morais, "o tamanho da partícula não mudou com esta variante Ómicron". Quer as FFP2 quer as N95 são mais caras do que as cirúrgicas.

Veja também o vídeo: Marcelo sugeriu uma "autogestão" da pandemia. O pneumologista Agostinho Marques concorda e acrescenta que já deveria ter começado

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