China anuncia sanções a Nancy Pelosi na sequência da visita a Taiwan

5 ago, 09:34
Visita de Nancy Pelosi a Taiwan (Associated Press)

Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA será sancionada, bem como os seus familiares diretos. Regime chinês considera que Pelosi trouxe ameaça à "paz e estabilidade no Estreito de Taiwan"

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês anunciou esta sexta-feira que irá aplicar sanções a Nancy Pelosi na sequência da visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos a Taiwan. A notícia foi avançada pela agência Reuters.

Segundo a Bloomberg, as sanções serão igualmente aplicadas a familiares diretos de Pelosi.

Em comunicado, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Pequim, Wang Yi, acusa a norte-americana de "interferir de forma grave nos assuntos internos da China, prejudicando de forma séria a soberania e integridade territorial" chinesas ao questionar o princípio de Uma Só China. A declaração acrescenta ainda que a visita de Pelosi trouxe uma ameaça grave "à paz e estabilidade no Estreito de Taiwan". 

A China considera Taiwan um território de Pequim e que deverá reunificar-se com o país, pela força se necessário.

Recorde-se ainda que o regime chinês realiza esta sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, manobras militares com fogo real nas imediações de Taiwan, na sequência da visita à ilha de Pelosi. Os exercícios levaram ao encerramento do espaço aéreo e marítimo em seis áreas à volta da ilha e incluem a prática de tiro ao alvo com artilharia de longo alcance, com "múltiplos tipos de mísseis convencionais", bem como a mobilização aérea de dezenas de aviões militares, incluindo caças e bombardeiros.

Ontem, o Japão denunciou que cinco mísseis balísticos chineses tinham atingido Zona Económica Exclusiva do país.

Pelosi recusa que a visita tenha prejudicado Taiwan

Nancy Pelosi respondeu entretanto às críticas que lhe foram dirigidas por ter decidido visitar Taiwan na sua digressão asiática. 

"Isso é ridículo", disse a democrata presidente da Câmara dos Representantes dos EUA. A veterana política norte-americana disse que a China utilizou simplesmente a visita "como desculpa" para uma demonstração de força, e afirmou que a intenção da viagem era sempre "mostrar respeito para com os países" visitados, "ter paz no Estreito de Taiwan" e "fazer prevalecer o atual 'status quo'".

Pelosi disse que, apesar do compromisso da Administração dos EUA em manter a ordem internacional tal como está, "os chineses estão a tentar isolar Taiwan" e vetar a participação da ilha em organismos globais e capacidade de receber e conduzir visitas oficiais: "Mas não isolarão Taiwan impedindo-nos de viajar para lá", concluiu.

"Não permitiremos que isolem Taiwan. Não programam a nossa agenda de viagens, o Governo chinês não fará isso. A nossa amizade com Taiwan é forte", disse Pelosi, que apelou à continuidade das visitas e relações com a ilha.

 

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