Risco de incêndios florestais vai aumentar 30% até 2050 e estudo até dá Portugal como exemplo

23 fev 2022, 10:36
Incêndio de Salvaterra de Magos

O estudo refere os incêndios que atingiram Portugal em 2017 para mostrar como os fogos florestais podem ameaçar as economias nacionais, ter impactos de longa duração nas pessoas e acabar por resultar em perda de vidas

Um relatório das Nações Unidas, desenvolvido por uma equipa internacional com mais de 50 investigadores, alerta que o risco de incêndios florestais de grandes dimensões vai aumentar 14% até 2030 e cerca de 30% até 2050. O documento sugere ainda que incêndios extremos como os que devastaram o estado norte-americano da Califórnia, a Austrália ou até a região russa da Sibéria vão ser 50% mais comuns até ao final do século.

“Da Austrália ao Canadá, dos Estados Unidos à China, da Europa à Amazónia, os incêndios florestais estão a causar estragos no ambiente, na vida selvagem, na saúde humana e nas infraestruturas. A situação é certamente extrema, mas ainda há esperança”, pode ler-se no estudo levado a cabo em parceria com a organização não-governamental Grid-Arendal.

O relatório refere que é possível alterar o rumo climático e apela para que os governos apostem mais em prevenção e não no combate aos incêndios. O estudo sublinha que essa seria uma utilização mais eficaz do dinheiro público. Os fogos florestais e a crise climática estão a "exacerbar-se mutuamente", aponta o estudo.

Os "dois incêndios sem precedentes" de 2017, em Portugal, são utilizados pelos investigadores para mostrar como os incêndios florestais podem ameaçar as economias nacionais, ter impactos de longa duração nas pessoas e acabar por resultar em perda de vidas. "Naquele ano, o inverno e a primavera foram excepcionalmente secos e incluíram ondas de calor recordes que diminuíram a vegetação" do país, além de que a área ardida foi precedida de décadas de "diminuição da exploração agrícola e má gestão da área florestal". 

"Estas condições são semelhantes às condições encontradas nos incêndios florestais que afetaram outras regiões, como a California ou a região sudeste da Austrália", frisam os investigadores.

No entanto, os cientistas mencionam também o "ambicioso" Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais 20-30, criado após os incêndios que atingiram o país no ano de 2017, para reduzir o risco no país, tendo como objetivo "proteger as pessoas e propriedades de fogos rurais". 

Atualmente, os meios de combate a incêndios recebem, aproximadamente, 50% dos fundos disponíveis, enquanto as áreas do planeamento e prevenção recebem menos de 1%.O documento apela à adoção de uma chamada “Fire Ready Formula”, que alocaria dois terços do dinheiro gasto em incêndios na prevenção, planeamento, preparação e recuperação, e um terço restante do combate.

“Os incêndios afetam desproporcionalmente as nações mais pobres do mundo, com impactos que perduram no tempo, muito depois das chamas se terem extinguido – impedindo o progresso em direção ao desenvolvimento sustentável, aprofundando as desigualdades sociais”, aponta o documento.

Os autores do documento consideram também que é necessária uma “melhoria dos padrões de segurança e de saúde dos bombeiros” a nível internacional, de forma a “reduzir as ameaças enfrentadas” no combate a incêndios. As medidas propostas variam entre o “aumento da consciencialização acerca dos riscos da inalação de fumo” ao minimizar dos riscos de ficar preso durante o combate às chamas.

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