Luso-moçambicana resgatada depois de 50 dias em cativeiro

Agência Lusa , AM - notícia atualizada às 11:14
21 dez 2023, 08:54
Bandeira de Moçambique

Três suspeitos foram detidos. Vítima tinha sido raptada à porta de casa

A polícia de Moçambique anunciou esta quinta-feira o resgate numa operação policial de uma cidadã luso-moçambicana de 26 anos que estava em cativeiro há 50 dias.

Esta madrugada foram detidas três pessoas envolvidas no rapto e a polícia procura um quarto elemento considerado “peça chave” neste e outros casos.

“Temos dados de mais um indivíduo que é uma peça chave fundamental para o esclarecimento deste caso de rapto. Estamos a trabalhar, acreditamos que a qualquer momento podemos trazer resultados de mesmo trabalho”, afirmou Hilário Lole, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal de Maputo, em declarações aos jornalistas.

A vítima tinha sido raptada à porta de casa, no centro de Maputo, no dia 0 de novembro, por três homens armados, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal confirmado anteriormente que estava a acompanhar o caso.

“Este trabalho não foi um resgate pago, mas sim um resgate graças ao Sernic, em colaboração com outras forças (…) Não houve necessidade de pagamento de valor para o resgate desta vítima”, avançou igualmente o porta-voz, garantindo que decorrem operações para identificar os mandantes do crime.

De acordo com aquela força policial, a vítima foi resgatada numa residência no Bairro Liberdade, cidade da Matola, arredores de Maputo, tendo sido detidos no local dois alegados guardas, que a vigiavam desde 01 de novembro.

Hilário Lole esclareceu aos jornalistas que foi recebida uma “informação” sobre o local do cativeiro, tendo aquela força avançado com a operação de resgate na última madrugada.

“Será levada aos cuidados médicos para aferir com profundidade o seu estado atual de saúde, assim como também na sequência deste trabalho for possível neutralizar no local foram num total de dois indivíduos. Em diligências a posteriori, foi possível neutralizar o terceiro indivíduo que também faz parte desta quadrilha”, acrescentou.

Segundo o Sernic, decorrem ainda diligências para tentar identificar “outros indivíduos pertencentes a esta quadrilha”, tendo em conta a suspeita de estarem envolvidos noutros casos de rapto no país.

“A maior parte dos casos são perpetrados pelos mesmos indivíduos, assim como os mandantes também são os mesmos, e acreditamos que com estas diligências todos podemos ter informações de outros cativeiros em que se encontram ainda vítimas raptadas”, disse igualmente.

De acordo com o Sernic, já se registaram seis casos de rapto em Maputo, “que foram executados”, e outras cinco tentativas, neste caso frustradas devido à intervenção da polícia, dos próprios ou mesmo da população.

“Infelizmente estamos com duas vítimas em cativeiro”, concluiu Hilário Lole.

Maputo vive há algumas semanas uma nova onda de raptos, sobretudo de empresários, com registo de dois luso-moçambicanos visados desde novembro e suspeitas de envolvimento de agentes ligados à investigação policial neste tipo de crime.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, reconheceu quarta-feira, no parlamento, que apesar das melhorias no combate à criminalidade, mantém-se a preocupação com os crimes de rapto que continuam a assolar o país.

“Apesar destes avanços, continuam a preocupar-nos os casos de raptos, mesmo com registo de redução em seis, contra 12 casos registados em igual período de 2022”, afirmou o chefe de Estado, no habitual discurso anual sobre o Estado da nação, na Assembleia da República, em Maputo.

“E, desses casos, foram esclarecidos quatro ligados ao crime de rapto, foram detidos 31 indivíduos, os mesmos envolvidos em raptos anteriores, tendo também sido detido um mandante na República da África do Sul, no âmbito da cooperação judiciária entre as autoridades dos dois países”, acrescentou Nyusi.

A Confederação das Associações Económicas (CTA), a maior associação patronal do país, defendeu no início de novembro, face a esta nova onda de casos, penas de prisão “mais severas” contra raptores e sem possibilidade de pagamento de caução para travar estes crimes.

 Quase 400 pessoas subscreveram nas primeiras 24 horas uma petição online apelando à libertação “incondicional” de cidadãos moçambicanos e luso-moçambicanos em cativeiro em Moçambique e contra os raptos que afetam o país.

“Os raptos são um crime hediondo que assola há vários anos a sociedade moçambicana. Urge à sociedade moçambicana insurgir-se contra o que se está a passar no país”, lê-se na petição online “Contra os raptos em Moçambique”, criada terça-feira.

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