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Chefe da diplomacia europeia condena "violação" da embaixada mexicana no Equador

Agência Lusa , MM
7 abr, 11:19
Josep Borrell

Após a invasão pela polícia equatoriana, na sexta-feira, da embaixada mexicana em Quito com o objetivo prender o ex-presidente Jorge Glas, que ali estava sob asilo político, o México rompeu de imediato as relações diplomáticas com o Equador

O Alto Representante da União Europeia para a Política Externa condenou este domingo a "violação" da embaixada do México em Quito, pedindo respeito pelo direito diplomático internacional após a invasão policial do edifício para detenção do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas.

"Condeno a violação das instalações da embaixada do México em Quito, em clara violação da Convenção de Viena de 1961 [que rege as relações diplomáticas]. Apelo ao respeito pelo direito diplomático internacional", escreveu Josep Borrell numa mensagem na sua conta oficial na rede social X.

Após a invasão pela polícia equatoriana, na sexta-feira, da embaixada mexicana em Quito com o objetivo prender o ex-presidente Jorge Glas, que ali estava sob asilo político, o México rompeu de imediato as relações diplomáticas com o Equador, tendo a Nicarágua feito o mesmo no sábado.

O governo mexicano qualificou a invasão como uma violação da sua soberania e do direito internacional, tendo esta sido igualmente condenada no sábado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo Departamento de Estado norte-americano.

A mesma posição foi assumida pelos governos latino-americanos, de esquerda e de direita, da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, República Dominicana, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Depois de ter sido levado da embaixada mexicana, Jorge Glas passou a madrugada na Unidade de Flagrantes de Quito e, no sábado, foi transferido de avião para a prisão de segurança máxima de La Roca, situada no complexo penitenciário da cidade de Guayaquil, reservado aos presos mais perigosos.

Sobre o ex-vice-presidente pendia um mandado de localização e de prisão preventiva por um caso de desvio de fundos públicos no processo de reconstrução da província costeira de Manabí, devastada por um forte terramoto em abril de 2016.

Glas deveria também regressar à prisão para terminar de cumprir uma pena de oito anos por duas condenações definitivas de associação ilícita (relacionada com o esquema de subornos da construtora brasileira Odebrecht) e de suborno (pelo financiamento ilegal do seu movimento político).

Desde 17 de dezembro de 2023, Jorge Glas encontrava-se na embaixada do México em Quito para pedir asilo, que lhe foi concedido na sexta-feira, declarando-se vítima de perseguição política e "lawfare" (utilização do aparelho judicial contra opositores políticos).

Glas recebeu asilo do México num momento de grande tensão nas relações com o Equador, depois de o Governo de Noboa ter expulsado a embaixadora mexicana, Raquel Serur, em resposta às declarações do presidente Andrés Manuel López Obrador que relacionaram o assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio com a vitória eleitoral de Noboa sobre a candidata Luisa González.

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