Mais de 700 resgatados no Mediterrâneo sem porto para desembarcar há oito dias

Agência Lusa , MJC
2 set, 12:05
Migrantes no Mediterrâneo  (AP Photo/Jeremias Gonzalez)

A denúncia foi feita por duas ONG que afirmam que entre os refugiados há mulheres, crianças, bebés e homens continuam presos no limbo, à espera de desembarcar", "alguns deles" a precisarem de "cuidados médicos urgentes"

Mais de 700 migrantes a bordo de barcos de organizações não-governamentais (ONG) aguardam há oito dias por um desembarque urgente num porto do Mediterrâneo, depois de terem sido resgatados no mar, disseram hoje as entidades que os salvaram.

Um total de "460 pessoas, entre elas mulheres, crianças, bebés e homens continuam presos no limbo, à espera de desembarcar", "alguns deles" a precisarem de "cuidados médicos urgentes", após oito dias num barco, "depois de terem sido resgatados no Mediterrâneo central", denunciaram esta sexta-feira a ONG SOS Mediterranée e o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

A ONG afirmou que a equipa a bordo do barco Ocean Viking, que tem sob sua responsabilidade, não consegue dar resposta ao grande número de casos a precisarem de assistência médica, que incluem esgotamentos, desidratação, infeções, feriadas mal tratadas e doenças crónicas, além de que duas mulheres grávidas de nove meses já tiveram de ser retiradas.

"Nunca tínhamos registado um número tão grande de casos médicos graves a bordo do Ocean Viking. Os sobreviventes foram encontrados no meio do mar em situações inimagináveis, numa tentativa desesperada para se salvarem em fuga da Líbia", disse um dirigente da SOS Mediterranée, Xavier Lauth.

O Ocean Viking, da SOS Mediterranée, resgatou 466 mulheres, crianças e homens em dez operações entre 25 e 27 de agosto.

Entre os sobreviventes havia mais de 20 mulheres adultas, entre elas algumas grávidas, e mais de 80 menores, 75% dos quais não acompanhados.

Em 29 de agosto, duas grávidas de nove meses foram retiradas do barco numa operação de urgência e levadas pela guarda costeira italiana, assim como quatro familiares - duas irmãs e os dois filhos, um deles uma menina de três semanas.

Também o barco Geo Barens, da ONG Médicos Sem Fronteiras, espera há mais de uma semana para atracar e desembarcar os 267 migrantes que tem a bordo e que foram resgatados do mar no fim de semana passado.

"Entre os sobreviventes que aguardam desesperadamente para desembarcar está Omar, de 10 anos, que viajou sozinho desde os Camarões. Passou seis meses na Líbia em condições sub-humanas e dois dias no mar antes de ser resgatado. Por ele e todos os outros, não podemos esperar mais", escreveu a ONG nas suas redes sociais.

A Médicos Sem Fronteiras denunciou a falta de reação dos países próximos, dizendo que "até agora, foram enviados quatro pedidos a um porto de Malta e três para Itália, sem qualquer resposta".

Segundo as autoridades italianas, na noite passada chegaram à ilha de Lampedusa, a mais próxima das costas africanas, 68 pessoas em dois barcos diferentes, depois de na quinta-feira terem chegado 330.

No centro de identificação da ilha há neste momento 887 migrantes, sendo que a capacidade deste serviço são 350, disseram as autoridades locais, que dizem estar a levar a cabo operações de recolocação.

Este ano, já chegaram às costas italianas 58.451 migrantes, um número que compara com os 39.478 registados no mesmo período de 2021, segundo os dados do Governo de Itália atualizados hoje.

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