Ajuda a dormir melhor, beneficia a saúde mental, aumenta a gordura castanha e outras 5 coisas que o mar faz por si

13 ago, 14:00
Mar (Unsplash)

O mar, esse milagre

É para muitos o maior spa natural do mundo pela sensação de relaxamento e bem-estar que oferece, mas os benefícios da água do mar são muito mais vastos do que se pode imaginar. É caso para perguntar: o que é que a água do mar tem? 

“Conhecemos bem a composição físico-química da água do mar, bem como os componentes biológicos que lhes estão associados, nomeadamente algas, corais e plâncton”, diz à CNN Portugal Pedro Cantista, presidente da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica. “Curiosamente, a água do mar tem uma composição química muito similar à do plasma humano, incluindo a sua osmolaridade.” 

Pedro Cantista sublinha que a água do mar contém “um pouco mais de 80 elementos dissolvidos, na forma iónica, muito úteis para o metabolismo das nossas células, o que faz dela uma fonte privilegiada de suplementos minerais e oligoelementos”, sendo que “seis dos iões presentes na água do mar constituem mais de 90% dessa solução salina, mais concretamente o cloro, o sódio, o magnésio, o cálcio, o potássio e o sulfato”. Além disso, há que considerar o cloreto de sódio, “o composto de maior expressão” na água do mar e que lhe confere densidade, que faz com que os corpos nela mergulhados exerçam uma “impulsão maior”, o que constitui “uma enorme ‘mais-valia’ quando se utiliza esta água para propósitos de medicina física e de reabilitação, numa modalidade que designamos 'hidrocinesioterapia'”, a chamada hidroginástica, explica.

Os benefícios da água do mar são tão vastos que dão azo a um conjunto de tratamentos variados que fazem parte da talassoterapia, que também faz uso de outros recursos marinhos que não apenas o mar. Há estudos que se focam no seu consumo - que não é aconselhado -, na sua inalação e no simples contacto ou proximidade. Em todos os casos, a saúde fica a ganhar e, tal como aconselha Pedro Cantista, falar com o seu médico é a melhor opção. “A juntar aos fatores terapêuticos químicos, devemos considerar também os físicos (térmicos, hidrostáticos e hidrodinâmicos), os biológicos e os psicológicos.”

1. Menos stress e ansiedade

A simples exposição a ambientes naturais é uma forma de relaxar, mas o mar é para muitos um refúgio nos momentos de mais angústia e a ciência sabe bem o porquê: estar junto do mar ajuda a baixar os níveis de stress e estados de ansiedade. E quem mora junto ao mar beneficia ainda mais, segundo um estudo da Universidade de Exeter, no Reino Unido, que revela que viver junto à costa está associado a uma melhor saúde mental, sobretudo por parte de pessoas com menores rendimentos. Uma outra investigação, também levada a cabo no Reino Unido, diz que quanto mais próximo se morar da praia melhor é a perceção de boa saúde mental da pessoa.

2. Melhor qualidade de sono 

Em 2015, o The Guardian dava conta de um estudo levado a cabo pela National Trust que dava conta que o simples hábito de caminhar junto ao mar ajuda a dormir melhor - e que fazê-lo poderia oferecer mais 47 minutos de sono de qualidade por noite.

3. Mais atividade física

“Nadar constitui uma atividade física com muito interesse para toda a nossa saúde músculo-esquelética, metabólica e cardiorrespiratória”, diz Pedro Cantista. E nadar no mar pode ser ainda melhor para a saúde pelo simples contacto com todos os minerais que oferece. Mas não só. Além de permitir a prática de vários desportos, como surf, bodyboard, kitesurf, windsurf, vela ou stand up paddle - que promovem um estilo de vida mais ativo -, o mar estimula a prática de exercício físico até mesmo de quem não se quer molhar. Em 2014, um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter veio revelar que estar próximo da costa aumenta a probabilidade de as pessoas serem fisicamente ativas, sendo as corridas e caminhadas comuns nestes casos.

4. Menor risco de obesidade

Um estudo sul-coreano realizado em ratos de laboratório associou a água do mar a uma maior probabilidade de perder peso e menor tendência para acumular gordura, tendo a água do mar capacidade de interferir com a expressão das moléculas ligadas à obesidade. Mas nadar, por si só, é já uma excelente forma de movimentar o corpo e queimar gordura e fazê-lo em água fria, como a do mar, pode ser ainda mais eficaz. Um estudo publicado em 2019 indica que nadar em água fria (em água a menos de sete graus) pode ser uma estratégia para aumentar a gordura castanha, e, por isso, reduzir o risco de obesidade.

Mas o médico Pedro Cantista deixa um alerta relativamente à temperatura da água do mar, que considera ser “um factor importantíssimo que deve merecer todo o cuidado”. “Choques térmicos muito bruscos podem desencadear reflexos neuro-vasculares que em casos extremos são susceptíveis de desencadear uma paragem cardíaca.”

5. Melhorias respiratórias

A American Family Physician, uma publicação médica independente, revela que a irrigação nasal com água do mal “é uma terapia adjuvante para condições respiratórias superiores”, como rinossinusite aguda e crónica, infeção viral do trato respiratório superior e rinite alérgica. Em 2005, o Royal Prince Alfred Hospital, em Sydney, deu início a um novo tratamento para fibrose quística inspirado nos surfistas, mais concretamente no seu contacto com o oceano através da inalação.

6. Saúde cardíaca reforçada

A água do mar profundo, a que está a mais de 200 metros de profundidade e é, por isso, mais rica em minerais e menos poluída, altera a pressão arterial e exibe efeitos hipolipidémicos, isto é, reduz a acumulação de gordura nas artérias, concluiu um estudo da Escola de Farmácia da China Medical University Yingcai Campus.

7. Melhorias cutâneas

Sergio Diez Alvarez, diretor de Medicina da Universidade de Newcastle, listou no site The Conversation uma série de benefícios da água do mar, sobretudo a nível cutâneo - e há muitos anos que isso se discute, tendo um estudo em 1995 concluído que tomar banho na água do Mar Morto, rica em magnésio, melhora a função de barreira da pele, aumenta a hidratação da pele e reduz a inflamação na pele seca atópica. Sergio Diez Alvarez diz que os minerais existentes na água do mar são bons para quem tem psoríase, já quem tem eczema deve fazer o teste primeiro, pois algumas pessoas podem sentir melhorias mas outras não.

“A imersão na água do mar é essencial para a absorção dos oligoelementos que, embora em muito reduzida quantidade, conseguem ultrapassar a barreira cutânea”, esclarece Pedro Cantista.

8. Boa saúde, de uma forma geral

Pedro Cantista diz que os benefícios “são tantos e tão variados”, mas que a saúde, no geral, fica a ganhar com a água do mar, seja num contexto de proximidade ou mesmo de imersão. “Podemos citar como indicações gerais alergias, doenças de pele, doenças osteoarticulares, problemas vasculares, doenças respiratórias, a obesidade, o stress e a fadiga.”

E estar simplesmente junto ao mar, conclui o presidente da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica, “permite usufruir do clima marítimo, particularmente das características do seu ar, temperatura, humidade, da radiação ultravioleta, que é essencial para a síntese da vitamina D”.

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