"Rui Rio ou um desconhecido. Costa não quer ser primeiro-ministro": análise de Ferreira Leite e Medina

7 jan, 00:41

Manuela Ferreira Leite e Fernando Medina analisaram os primeiros 11 debates eleitorais antes das legislativas na CNN Portugal. António Costa, Rui Rio e a ligação do PSD ao Chega foram os temas em cima da mesa

Concluídos 11 dos 36 debates eleitorais antes das eleições legislativas, Manuela Ferreira Leite não tem dúvidas: "António Costa não quer ser primeiro-ministro". A comentadora da CNN Portugal realça que, perante o que já foi dito e não dito pelo secretário-geral do PS, os portugueses vão "ter de escolher entre Rui Rio e... Rui Rio”.

"Tiro a conclusão que vamos ter de escolher entre Rui Rio e... Rui Rio. Acho que o António Costa não é candidato a primeiro-ministro, não vai ser primeiro-ministro e não quer ser primeiro-ministro", diz Ferreira Leite.

Manuela Ferreira simplifica o raciocínio e lembra que, até ao momento, sabe-se apenas que Costa "quer uma que quer uma maioria absoluta e que se perder se vai embora". Disto, a antiga presidente do PSD deduz que "falta esclarecer uma terceira hipótese que é caso ganhe sem maioria absoluta".

A comentadora teoriza então que "ou [António Costa] tem maioria absoluta ou poderemos estar a escolher entre Rui Rio e alguém do PS que ainda não sabemos quem é". Algo que a própria admite que pode parecer um "enigma" ou uma "bizarria", mas que pode ter uma ter uma justificação plausível.

"Isto pode parecer uma certa bizarria e haver aqui algum enigma, eu direi que o enigma será esclarecido no dia em que o dr. António Costa aceitar o lugar na Europa que, provavelmente, está à espera. Deve rezar todas as noites para não ganhar as eleições para finalmente ir para a Europa e descansar destes seis anos de tortura, depois de estar a governar sem ter maioria absoluta”, afirma a comentadora.

Para Fernando Medina, este é um cenário inconcebível. O socialista garante que António Costa, em caso de vitória nas legislativas, cumprirá uma solução governativa para os próximos quatro anos.

O comentador da CNN Portugal considera que, caso o PS vença sem maioria absoluta, "todos os partidos vão ter que falar uns com os outros", realçando que será dada preferência aos parceiros da esquerda, como António Costa já referiu.

Ferreira Leite discorda e entende que o chavão "estabilidade" cria um "arco de governabilidade" para que o secretário-geral do PS possa sustentar uma coligação de esquerda, como aconteceu no passado, ou abandone o cargo.

“A estabilidade é um bom argumento, mas se não sente a possibilidade dessa estabilidade relativamente ao Bloco de Esquerda nem ao PC, também não a sente provavelmente em relação ao Rui Rio que ainda não falou nisso, então o meu receio é ter de escolher entre o Rui Rio e um voto no PS é um voto no desconhecido. Isto é, o Partido Socialista há de vir a indicar quem é que vai ser o primeiro-ministro... Até pode ser que seja ali o dr. Fernando Medina”, considera Ferreira Leite.

 

Em tom de resposta, Medina refere que “António Costa coloca a tónica no ponto certo” e lembra que a campanha tem sido dominada pela "questão complexa para Rui Rio e para o PSD que é sua relação com o Chega".

"Rui Rio não tem feito mais nestes debates do que colocar à mesa de negociação de novo o Chega, em que a única coisa que diz é ‘o meu limite é que não farão parte do Governo’”, diz Medina.

 

Quanto à ligação entre o PSD e o Chega, Manuel Ferreira Leite considera que será "André Ventura que vai ter de escolher se opta por dar esses votos” para viabilizar uma solução governativa de direita. 

A ex-líder social-democrata é, no entanto, perentória ao afirmar que é "claro" e "não há dúvidas" que não se vai verificar uma situação em que o PSD está no Governo ao lado de membros do Chega.

“É evidente que não há nenhuma hipótese de coligação e membros do Governo do Chega em nenhum Governo do PSD. Isso está tão claro que só por tentativa de não querer perceber é que se pode pensar que há dúvidas sobre o que é que vai acontecer”, esclarece Manuela Ferreira Leite.

 

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