Nani recorda o dia em que Queiroz acabou o treino ao fim de cinco minutos

17 ago, 19:12
Nani no Manchester United (AP Photo/Clint Hughes)

Antigo avançado do Manchester United lembrou a intensidade do trabalho nos «red devils»

Em conversa no canal de Youtube do ex-companheiro Rio Ferdinand, o português Nani partilhou algumas memórias dos anos que viveu em Manchester. Entre episódios caricatos, lembrou a dureza dos treinos do United, que por vezes ficava muito perto de escalar para a violência. Certo dia, Carlos Queiroz, adjunto de Alex Ferguson, acabou o treino ao fim de cinco minutos.

«Estava com o Vidic e ambos treinávamos sempre duro. Ele segurava a bola e esperava por mim para ir ao seu encontro e batermos com o corpo de lado [carga de ombro]. Estávamos a fazer isto e não sei quem começou, mas vi o Paul Scholes a entrar sobre alguém de forma mais dura e todos começámos aos pontapés uns aos outros. O Carlos Queiroz parou e apitou: ‘tudo para dentro’», recordou.

O avançado, agora a jogar na Austrália, admitiu que chegou «com medo» aos red devils, sobretudo porque não sabia falar inglês. Após algumas semanas, desistiu de ir às aulas e aprendeu a falar com os companheiros de equipa.

«Era mais engraçado falar convosco no balneário ou à mesa, durante o almoço. Era mais divertido e mais fácil para aprender. Quando cheguei a Manchester, foi mais diferente do que esperava. A equipa era fantástica, receberam-me como se não houvesse uma grande diferença de idade. Deram-me a responsabilidade, aceitaram a minha personalidade, cresci muito rápido no primeiro ano. O Cristiano foi quem mais me ajudou, mas Rio foi uma das pessoa importantes para nós no balneário, ele estava envolvido connosco, a brincar, com piadas para nos fazer sentir confortáveis e a ensinar palavras. Foi o melhor balneário que tive na vida e aprendi tudo lá, porque não éramos apenas jogadores, éramos soldados», recordou.

Scholes, de resto, foi o jogador que mais impressionou o atacante luso. «Num treino, ele jogava nas duas equipas em posse e com apenas um toque, enquanto os outros faziam tudo a dois toques. Mesmo assim, estava três passos à frente de todos. Vi-a aquilo e ele a desfrutar, foi incrível. Não sabia como fazia aquilo e, a partir daí, comecei a melhorar o meu jogo a um-dois toques e ser mais esclarecido em campo.»

Nani lembrou ainda a conquista do Euro 2016 e confessou que a meia-final contra o País de Gales foi o momento em que sentiu que Portugal iria vencer o troféu em solo francês.

«Senti que íamos ganhar quando chegamos às meias-finais. Não tivemos um começo bonito, porque empatámos os jogos todos, mas sabíamos que, se ganhássemos a meia-final, a final era nossa. Tínhamos jogado vários prolongamentos, estávamos cansados, mas muito fortes.», vincou.

Por fim, escolheu o «cinco ideal» da carreira, sem guarda-redes. Ferdinand, Paul Scholes, Deco, Ronaldo e Rooney.

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